Nas ultimas semanas, com desmesurado destaque para o alegado suicídio de um aluno e discretamente no caso do suicídio de um Professor, o País comentou aquilo que os especialistas de hoje chamam de bullying, ou seja, actos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully ou "valentão") ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender.
Não vou falar sobre suicídio: é um tema demasiado complexo, que não domino e sempre entendi que quando não entendemos um tema, o silêncio é um discurso eloquente. Mas se não gosto de falar do que não sei, tenho prazer em debater o ensino.
Ponderei muito antes de escrever estas linhas: por um lado estou ciente que as minhas posições não são politicamente correctas e, por outro, tenho algum receio de juntar a minha voz à histeria, pretendendo deixar claro que o bullying sempre existiu, mesmo antes de cabeças pensantes inventarem um anglicanismo para baptizar o fenómeno!
Quero deixar clara uma declaração de interesses: continuo a acreditar que a Educação é o melhor mecanismo de justiça social, que é através da formação que se esbatem as diferenças de classes: luto e vou lutar sempre pela igualdade de oportunidades, que permita a que cada um, pelo seu trabalho e mérito, possa ter uma vida mais confortável que os seus antecessores. Não ignoro que hoje é mais simples aderir a um partido, abanar caninamente a cabeça e esperar uma injustificada benesse: mas vou bater-me sempre pelo ensino!
Mas é preciso repensar a escola, mormente a noção de universalidade no ensino: se todos temos de lutar para que a Escola seja para todos, para que os jovens de todas as idades tenham acesso ao ensino, em todos os seus graus, nunca devemos esquecer que o ensino é um direito, não um dever! Que na escola devem estar todos aqueles que querem estar na Escola, mas esta não deve ser um prisão ou um campo de refugiados onde são depositados jovens, que ao longo dos tempos deram provas que não querem aprender, não respeitam quem aprende e ensina, cuja única finalidade que prosseguem é permitir que os pais recebam rendimento mínimo e aperfeiçoarem a arte da criminalidade!
Não é para estes que existe o escola e a universalidade do ensino não é incompatível com a expulsão de quem tem comportamentos desviantes, quer contra colegas, quer contra professores ou funcionários!
Durante uns anos cultivou-se uma ideia romântica do ensino, onde a escola era um sítio para as crianças e adolescentes serem felizes e desfrutarem! Uma ideia bonita, como bonitas são outras ideias parvas: a Escola é um local onde se trabalha, onde se premeia o mérito, um local onde a exigência deverá ser sempre um critério fundamental! Um espaço que deve procurar a excelência, onde apenas fazem falta aqueles que querem lá estar: sejam alunos, ou professores!

















