terça-feira, outubro 16, 2007

Um pesadelo de uma noite de Verão

Conhecemo-nos numa noite de Verão, numa daquelas noites em que as estrelas namoriscam no horizonte, flirtam animadas e sorriem com desdém da nossa patética mediocridade. Os meus olhos pousaram nos dela e bastou um único olhar, um primeiro esboço de um sorriso, para as pernas me desfalecerem e ser invadido pela certeza certa de que cometia um terrível erro, um crasso e canalha engano.
Mas fui fraco e entreguei-me derrotado à ditadura do impulso, deixei-me perder na tirania dos instintos. Fui, mergulhei de cabeça num rochedo triste, certo da certeza do meu erro, ciente da minha impotência para lutar contra o triste fado de um mal traçado destino.
A minha única crença é não acreditar em nada, mas durante anos, em misantropas divagações, questionei-me intimamente sobre a origem do íman que me conduziu para as ruelas de perdição, perseguindo um fingido amor, que apenas eu não fingia.
Tudo perdi! Não me refiro apenas ao amor próprio, respeito, aos íntimos amigos que não aceitaram acompanharam em direcção ao precipício, à dignidade, aos princípios que fui empenhar por uma mão cheia de enganos, a decência de carácter que joguei numa qualquer viela; por este louco amor, perdi a carteira, o emprego, o carro e a casa, na sofreguidão de lhe dar o céu e depois o mundo.

Ponderei que foi feitiço. Com a convicção profunda que foi bruxedo, recorri a cartomantes, videntes, astrólogas, fiz o mapa astral, mandei pintar a aura, segui horóscopos, decorei a casa com feng shui, fiz reiki e ioga; até ao padre da paróquia paguei para benzer a casa e a um outro para me exorcizar.
Tornei misógino, não por vocação, mas por crença de que só afastado de todas as mulheres podia vencer aquele feitiço.
Até que um dia, porque há sempre um dia, uma luz divina invadiu-me e fez-se luz onde apenas se alojavam as trevas. Hoje, pela primeira vez em muito tempo, estou ciente que toda aquela paixão não foi bruxedo.
Foi brochedo!

Óscar

3 comentários:

  1. Anónimo11:38

    That´s my boy...

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  2. Anónimo19:02

    Ai Óscar Óscar...
    O que os 'brochedos' não fazem a um homem...Mas, coitados depois pensam que só aquela feiticeira é q os sabe fazer e andam a sofrer sem necessidade que nem uns desgraçados!!Até dá dó...
    Hoje em dia, essa arte mágica já todas (e todos...) a sabem executar!Resta é saber quem é mestre na bendita arte!!
    Eh eh eh...
    Aí sim, é que reside o busílis da coisa...

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  3. @nónimo 7.02 - tem toda a razão! Desde já me comprometo em fazer um Momento Cosmopolitan, Versão Maria sobre a arte de bem o fazer...

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Respeite as opiniões contrárias! Se todos tivéssemos o mesmo gosto, andávamos todos atrás da sua namorada! Ou numa noite de copos, a perseguir a sua mulher!