Não consegui evitar que casassem um dos meus ciganinhos à força, a pressão dos pais foi tal que o casaram à pressa e com uma miúda que ele nem conhecia, sem dentes com 14 anos.
Todo o ano eu batalhei nisto, era o cigano que mais gostava de vir à escola e fazer as actividades.
Grande festa na rua, com os homens todos bÊbados e as mulheres todas submetidas aos caprichos.
Apanhei-o sozinho e perguntei "Estás feliz, M...?" sabendo de antemão a resposta... Ele disse-me de olhos a tremer: "Não, professora...mas não pude fazer nada e agora tenho que me aguentar como um homem, é a lei cigana..."
E à parte de tudo e todos estava a J. de olhos grandes e tristes, linda linda como só uma cigana sabe ser, com quem ele sempre namorou aqui na escola, escondidos dos pais... Um namorico tão bonito que eu tentei sempre proteger, mas só até onde esbarrei nas leis dos supostos homens...
Conto-te porque sei que percebes o porquê de me preocupar com um reles cigano que casou, pois se eu disser isto a mais alguém caem-me em cima a dizer que é só para o RSI...
Vale de Rossins é um pequeno povoado, pertencente à freguesia da Salvada da qual dista cerca de 8 Kms e não excederá 3 dezenas de habitantes
Para lá chegar atravessa-se a Salvada e toma-se , depois, a estrada das voltinhas que nunca mais tem fim e à qual vão desembocar outras estradas que se desenrolam na planicíe deserta. Não se distraia e observe a placidez calada dos campos atapetados de um verde interminos, às primeiras águas, a atonia dos montados de troncos sangrentos, a regularidade da disposição dos olivais novos que sobem, em filas as lombas dos cabeços, como soldados em exercícios militares
Ao avistar um edifício que já foi uma escola e hoje não é nada, chegou ao seu destino Um pouco mais abaixo situa-se o estabelecimento de D.ªLisete e João Augusto.Na parte mais alta da povoação, loja e venda de Dª Josélia e Agostinho.
Em qualquer destes estabelecimentos há de tudo: a simpatia dos proprietários, a sã e salutar concorrência, um ou outro pastor adormecido sobre uma mesa ou balcão, resultado das minis que bebeu enquanto o gado folgava, o mais saboroso pão do mundo acabado de sair do forno que a lenha delgada aqueceu e a que pode juntar um bom naco de presunto alentejano, ou em caso de emergência uma lata de conservas Se quiser deixar o carro à sombra de um chaparro e aproveitar o vasto espaço pedonal, além de exercitar os músculos depressa se sentirá envolvido por um perfume agreste e vigoroso exalado pelo folhedo das estevas, coberto por um manto de flores brancas.
A terra, aqui, é esquiva, de textura esquelética, promete muito pouco e dá nada., por isso, ao longo dos anos tem expulsado impiedosamente centenas dos seus habitantes
Incautos, impávidos e de braços cruzados Assiste o governo à obstinação de compadres e amigos que colocou na CP em não satisfazerem as justas e legitimas reivindicações duma cidade que ambicciona progresso e desenvolvimento. Ignorantes ou indirentes às carências da região de que o comboio é uuma das suas componentes, já fizeram saber que não cedem nem mais um miimetro. Mas que estranho país é este onde um funcionário público decide sobre matéria tão importante? Onde pára o 1º ministro de Portugal? Deviam os obstinados saber que estas guerras nunca se ganham, ou aparece alguém de bom senso e remedeia as asneiras do seus antecessorea, ou as populações continuam a luta- e é a guerrilha. Foi por obstinação e cegueira politica que Portugal perdeu um império,
É impressão minha, ou o blogue ficou muito lento desde que teve novo visual?! Antes funcionava bem, agora é bastante mais lento chegando a bloquear... :(
O meu avô, partiu no dia 15 de Novembro. Um Homem com um verdadeiro H grande, uma pessoa da comunidade Bejense, que durante os seus 84 anos deixou a sua marca, na familia e nos amigos, em Beja e na sua terra natal a Cabeça Gorda, a sua despedida foi uma demonstração da pessoa que foi e da imagem que nos deixou. É sempre dificil o momento da despedida, mas teve a homenagem que merecia, rodeado dos seus familiares, dos seus amigos, dos seus companheiros de caça ou dos jogos de cartas, das pessoas com quem trabalhou. Uma pessoa teimosa, dono da sua razão, incapaz de estar parado, a trabalhar é que se sentia bem. O meu Avô.... um avô, um pai, um amigo, ensinou-me muito, as minhas primeiras pedaladas de bicicleta, a conduzir muito antes de estar legalmente habilitado para tal, a caçar, a jogar às cartas... Ele foi e sempre será o meu Avô. Todos iremos sentir a sua falta, mas tinha chegado o momento dele. Pode-se dizer que nos seus 84 anos viveu uma vida... A todos os que estiveram presentes, agradeço muito, proporcionaram uma bonita despedidada a uma pessoa que jamais será esquecida. O meu Avô, o avô Claudino.... onde quer que esteja, de certo que vai olhar por todos nós... um beijinho deste teu neto...
Não sei quem teria inventado aquilo a que chamamos grandes superfícies. Penso, até, tratar-se de uma coisa, em evolução que o sovina do Belmiro copiou. Fosse quem fosse, foi alguém que estudou o comportamento dos portugueses, observou os seus hábitos e costumes, da dificuldade que têm em distinguir o essencial do acessório e da atracção que lhe provoca tudo quanto é novo
Ir às compras ao Continente é simples e é fácil: Quem entra terá de passar por um vasta plateia que faz a primeira triagem ( quem é, o que faz, onde mora, como se chama, etc. depois pega num dos recipientes que escolheu e das ptateleiras vai colocandoos produtos no dito recipiente.Não se preocupe com o preço, à saída uma gentil e simpática menina deseja-lhe os bons dias ou boas tardes( Por mim já fico reconhecido quando me descolam o saco) entrega-lhe um ticket e sugere-lhe que volte sempre.
O Continente deve ser, hoje, em Beja o local mais concorrido. São duas comadres que vindas da aldeia e é o homem de negócios chegado de Lisboa que lá´marcam encontro. Das valências de que dispõe conta-se, ainda uma permanente passagem de modelos com o último corte sempre presente. Quem quiser optar por lavar alguma roupa suja também dispõelogo ali ao lado duns aparelhos que guardam segredo.
Entretanto você que ja´pagou e não teve motivos para protestar e de certo devolveu o sorriso à simpática operadora, ficou conhecido como o gajo que escreve muito bem, tem a mania que sabe cozinhar e ultimamente. se meteu na politica.
Sobre isto! "Fui a Beringel... ...e vim doente:( Como é possivel o ser humano testar os seus limites de forma tão cruel e masoquista? Depois de ver a foto do Zig, preperei-me para o pior, mas nada como ver os bichinhos andarem pelas recordações da dona da "casa" ao som do ladrar de 6 cães completamente possessos pela fome e saudades de uma palavra de carinho sem ser "calem-se porra". O cheiro? Bati à porta da vizinha para me auxiliar a "conhecer" melhor os animais, apareceu uma senhora com um ar doce e ternurento de nome Maria Carolina e pergunta: "vem buscar os cães?", expliquei-lhe que ia conhece-los objectivando adoptar um! "só um?" Depois de ouvir o vizinho dizer: "quando os levam a todos? A gente já não dorme...." Depois de uma troca de desabafos misturados com perplexidade percebi que afinal a senhora tem familia!!!! Apenas vivem longe e ocupadas com as suas oriversarias na capital... Coloco a questão de novo: "como é possivel?...." Não abrimos a porta, logo , não foi possivel conhecer os caes...de perto. Percebi que o empenho da vizinha D. Maria Carolina é grandioso! A alimentação dos cães feita varias vezes ao dia é feita pelo buraco do vidro da porta! Ah...este vidro foi partido para que pudessem lá entrar e salvar a "idosa" , pois havia "tempo que a senhora não dava sinais e os caes não se calavam". Assim que arimos a porta fiquei doente, pois os 12 caes estavam encima da senhora que permanecia caida no chão sem se conseguir mexer.." Depois de algum tempo, veio um senhor pedir que viesse dizer para Beja ao Sr do Cantinho dos Animais, que lhe levasse comida para 6 gatos por favor! Deixei a ração que levava no carro e espero que , assim que abram a porta , os caes saiam e eu finalmente cumpra o meu objectivo! Vivemos em que seculo? Obrigada pela sua informação , acredito que muita gente carecia de uma hora como a minnha...jamais esquecerei o que vi e acredite que já vi muita pobreza !"
A Câmara Municipal de Beja vai proceder a uma campanha de desratização e de desbaratização. Faz bem, porque ratos e baratas são animais que ameaçam a saúde dos ser humano e por isso é obrigatório que deles nos defendamos. Em comunicado público explicou a Câmara como vai proceder, nomeadamente quais os locais onde colocará iscos e as normas de segurança a observar.
Sem querer meter a foice em seara alheia, pois certamente os serviços técnicos da Câmara estão suficientemente bem apetrechados em meios materiais e humanos para desempenharem bem a tarefa, permito-me deixar aqui algumas sugestões.
Os ratos e as baratas são animais que acompanham o ser humano desde o seu aparecimento à face da Terra e que à custa dele vivem. E de tal maneira, ratos e baratas, têm a sua vida ligada à da espécie humana, que algumas vezes nós, os humanos, nem nos apercebemos que eles estão entre nós e que se multiplicam descontroladamente.
E foi isto que aconteceu nas últimas dezenas de anos em Beja. Parece que o centro reprodutivo dos ratos e baratas se situava e situa ali para os lados da rua Ancha. Dali a bicharada expandiu-se pela cidade e pelo concelho, assentando arraiais em particular nos vários edifícios e serviços da Câmara Municipal, onde pululam enormes ratazanas e baratas tontas. Por isso é por aí, pela própria Câmara Municipal, que a campanha sanitária deve começar.
Mas há mais. São os ratos instalados na imprensa escrita e os ratos de biblioteca, as baratas radiofónicas e outras.
São estes animais que se instalaram entre nós, que se habituaram a viver à nossa custa e que muitas vezes contaminaram e continuam a contaminar, não só a nossa vida material, mas também a nossa vida social.
A vida em sociedade é muito complexa, temos que viver em conjunto pessoas muito diferentes, com ideias diferentes, e ainda bem. Só assim é que uma sociedade pode evoluir e avançar. E numa sociedade que queremos em continuado progresso também têm lugar os animais. Cães e gatos, periquitos e canários, galinhas e patos, vacas e borregos…, estes e muitos outros têm lugar e fazem-nos falta.
Morreram, ontem no Mundo milhares de pessoas. Em Beja morreu, Joaquim António Garrido Tareco, um jovem,tinha 44 anos, deixa mulher e filhos. Implacável, estúpida e brutal ordenou que se sentasse na cama e num ápice fulminou-o. Chama-se morte e tem o poder de tirar a vida às pessoas, concede-lhes, no entanto, o tempo que medeia até à sua chegada. Tempo que homens e mulheres dispõem para concertarem o Mundo, se quisessem. Acabo de sair do cemitério, centenas de pessoas acompanharam-te a uma estranha, cidade, onde reina o silêncio e a saudade, onde o que fora vida ali reside e a palavra vida não faz sentido pronunciar.Não me envergonharia de fazer-te um elogio, mas guardo-o para mim e hei-de faze-lo em recolhimento. Adeus Tó, nunca mais soltarás aquelas contagiantes gargalhadas, nunca mais riremos com as tuas anedotas, nunca mais te censuraremos do que fizeste e não devias ter feito, nem do que não quiseste mas fizeste Paz à tua alma M.D.Horta
Nesta cidade, onde quase tudo é pequeno e, portanto, a mesquinhez é grande, onde abundam pecadores e escasseiam puritanos, onde se preparam e tirocinam políticos que hão-de conduzir o povo ao paraíso terrestre, donde desapareceram investidores e restam alguns audazes, onde não se escuta a voz autorizada e se segue o pensamento de velhos senadores cá do burgo e que, por enquanto e felizmente, não existe resquícios de corruptos ou corruptores.
É nesta cidade e com esta santa paz, que numa rua velhinha e estreitinha, mesmo em frente a um lar de velhotes e com o compromisso de não perturbar o merecido descanso dos utentes, abriu um espaço que dantes era um armazém de mercearias e a que deram um nome que parece não corresponder ao tamanho de que dispõe. Clube de convívio, no sentido de conjugar o habitual petisco da tarde – para isso dispõe de mobiliário adequado – com o prolongamento para a noite, que nesta terra muitos gostam de fazer, embora se queixem no dia seguinte.
Com uma decoração não abundante quanto simples, as cores suportadas pelo preto e branco que associadas a uns holofotes estrategicamente colocados permitem um jogo de luzes que esbatidas nas altas abóbodas irradicam, de imediato, a mínima sensação de claustrofobia. Feliz a ideia de pôr a descoberto a tijoleira das abóbodas. Não fora a nudez do local onde assentaria bem um vitral e teríamos a solenidade de um templo a desafiar o profano dos clientes. Música para todos os gostos, espaço amplo a permitir a privacidade de quem o desejar. Curioso o leque de bebidas que policias e guardas têm o hábito de perguntar se já ingerimos, iniciando-se no clássico copo de vinho, até ao mais sofisticado cocktail.