"O que nunca ninguém diz, porventura com medo de parecer vaidoso, é que a inteligência tem um preço: a solidão" (Nuno Lobo Antunes)
sábado, julho 23, 2011
Lucian Freud
quinta-feira, julho 14, 2011
Swallows The Poison Apple, por Paula Rêgo
terça-feira, julho 12, 2011
O velho guitarrista cego, 1903, por Picasso...
sábado, julho 09, 2011
Dance, 1963 por Marc Chagall
sábado, junho 18, 2011
Puberdade, 1894/5, por Edvard Munch
sábado, fevereiro 12, 2011
Guernica, Pablo Picasso
sábado, fevereiro 05, 2011
O Beijo de Magritte...
sábado, janeiro 15, 2011
Entardecer em Karl Johan, por Munch
sábado, janeiro 08, 2011
As namoradas, de Klimt
A força da cores é absolutamente soberba nesta pintura; tons fortes, de fogo, quiçá premonitório, porquanto este quadro desapareceu quando ardeu num incêndio na década de cinquenta.
sexta-feira, julho 30, 2010
A noiva, de Joana Vasconcelos

Nesta noite, evoco esses tempos para partilhar consigo a Noiva de Joana Vasconcelos, datado de 2001! Não é a minha obra predilecta da artista, mas foi o primeiro trabalho que recordo dela, pelo que, mais que homenagear a obra, trago-lhes a artista!
Joana Vasconcelos, beija os quarenta anos, nasceu perto do Sena com a triste sina de ser portuguesa, sendo que, apesar deste imenso handicap é uma das mais importantes artistas plásticas da contemporaneidade, expondo a sua arte, um pouco por todos os locais, nas galerias de referência do mundo, feito quase inaudito para quem se assume como portuguesa!
A Noiva é um lustre de mais de quatro metros, que nos remete para um qualquer palácio régio, onde reis, princesas, alta nobreza e meretrizes dançam ao som da miséria que se esconde para lá do palácio, onde o povo se alimenta da fome e de miséria; mas esta é uma noiva despida de todos os luxos, de diamantes cristais ou pedras preciosas, uma noiva vestida de feminidade, de uma pureza revelada, sem vergonhas, receios ou pudores!
A Noiva da Joana Vasconcelos, como muitas outras suas obras, não se constrói de materiais nobres, mas encontra a nobreza na criatividade comovente de uma artista que ousou, ainda ilustre desconhecida, fazer este lustro com tampões! Uma homenagem bela à coragem daqueles que no pouco encontram a fortuna!
domingo, outubro 18, 2009
Starry night over the Rhone, por Van Gogh
O meu quadro predilecto de Van Gogh é a sua extraordinária noite estrelada! Por algumas das razões que deixei escritas e outras que guardei para mim! Mas não consigo resistir ao charme desta outra noite estrelada, iluminada por estrelas no céu e as lamparinas das ruas!Porque se sou louco pelo silêncio da noite, perco-me na solidão das águas que seguem o seu percurso alheias ao seu destino!
Sinto falta das noites silenciosas onde o mar é testemunha de diálogos calados: das noites iluminadas por cigarros, em que as estrelas são cúmplices de pensamentos perdidos na noite, castelos de ar construídos de ilusões e sonhos interrompidos!
Sinto falta do azul, das noites que de escuras se transformam em claras, na clarividência que apenas a solidão nos oferece.
Olho o quadro: encanta-me a forma como o artista pinta o céu com pinceladas largas, a forma como oferece luz às estrelas, como a luz dos candeeiros morrem no rio, que insensível se dirige ao mediterrâneo! Deito o olhar sobre o casal que se esconde na parte inferior do quadro. Parecem velhos, daqueles que o tempo cansou! Algures perdidos entre a água e o nada: imagino-os silenciosos, contemplando um vendaval, despojados de tudo, cansados, fracos, com rostos de quem há muito perdeu a esperança! Mas juntos: presos um ao outro, com orgulho de um passado comum!
sábado, maio 09, 2009
Vénus ao espelho, por Rubens

Peter Rubens é um pintor flamengo, contemporâneo de Rembrandt com quem teve uma interessante dialéctica espiritual. Filho de uma família aristocrática, viveu de muito perto toda a complexa querela religiosa do século XVI.
Provavelmente o mais importante nome do Barroco, foi um artista da corte (ou de várias cortes) pintando para grande parte dos príncipes da velha Europa e para a Igreja.
Os seus quadros caracterizam-se por as suas dimensões monumentais, porquanto visavam preencher as casas senhoriais do seu tempo, numa época de arquitectura grandiosa, com salas imensas e paredes imensamente altas.
Consequências do seu sucesso, Rubens é obrigado a contratar um enorme conjunto de jovens pintores, os verdadeiros artifices dos seus quadros, deixando para o mestre a parte final, a famosa pincelada que transformava um quadro num Rubens. De certo modo, estamos perante uma espécie de revolução industrial na pintura, numa fábrica artista em que Rubens vestes as peles de estilista!
O quadro que partilho com o meu bom leitor, não será o mais representativo do autor. Mas permite-me dividir consigo as mulheres do barroco, a carne barroca das mulheres avantajadas que fazia a delicia do homem do pós-renascimento. Na tela, Venus desnuda prepara-se para um baile na corte, auxiliada pelas suas damas de companhia. Ao puritanismo da nossa era, em que a nudez é um bem apenas partilhado com a pessoa amada ou numa noite demasiado etilica, surpreende-nos que o corpo se exiba sem pudor, na sua graciosa intimidade.
sexta-feira, abril 03, 2009
Dizziness, por Iman Maleki
Desconhecido do grande público e não obstante a sua terna idade e a sua naturalidade, já é considerado por muitos como o melhor pintor realista da actualidade, sendo muitos dos seus quadros verdadeiras fotografias, tal a veracidade que oferece à tela, sendo que muitas das suas pinturas se confundem com fotos.
Não é o caso do quadro que lhe ofereço este inicio de noite! Dizziness, pintado em 1988, oferece-nos uma estranha vertigem, onde os livros têm um enigmático papel.
Se numa primeira leitura os jornais são nuvens que passam, perante uma cidade que ao longe lhes é indiferente, a escuridão que cobre a cidade pode fazer-nos crer que lhe falta a luz que se poderia encontrar na Imprensa. Mas mais que os jornais, é o livro que lhe cobre o rosto que chama a atenção deste seu escriba e que oferece magia à tela.
Olhei o quadro semanas, sem compreender a função do livro; será uma fuga da realidade a necessidade de nos perdermos no romance para esquecermos a vida que passa lá longe ou o papel do livro é obrigar-nos a questionar porque a cidade se encontra pintado em tons de cinza, sem alma nem alegria?
O papel dos livros na nossa vida tem a mesma carga de mistério: por vezes sinto que temos a necessidade de ler para preenchermos um vazio de conhecimento, na incessante procura para saber mais; outras, que nas letras escritas, quando lemos as palavras dos outros, as outras vidas que nos romances se cruzam com as nossas, procuramos a estranha catarse de nos esquecermos de nós e da nossa própria vida!
sábado, janeiro 31, 2009
O beijo, de Francesco Hayez

Hayez nasceu na mais romântica cidade de Itália, marcaca o calendário o ano de 1791, tornando-se num muito admirado pintor no seu próprio tempo, considerado o mais pertinente exemplo do romanticismo histórico. Recordo o mais distraído dos leitores, que este quadro foi pintado um século antes do famoso beijo de Klimt, sendo as similitudes evidentes, nomeadamente na postura dos enamorados, onde ela sem pudor nem receio se entrega nos braços do homem que ama ou se perda na mais pura volúpia. A proximidade da escada, os tonso soturnos, o extenso chapéu que esconde o rosto do amante, permitem-nos conjurar que o casal esconde o seu amor do mundo, sendo perseguido por fantasmas reais ou imaginários.
É curioso o papel do beijo na história da humanidade, a forma com as culturas e os tempos reconhecem e avaliam o beijo, a sensação de que o beijo flutua entre a banalidade e a unicidade, como se dois beijos iguais fossem imensamente diferentes, como se a mesma boca ao dar um mesmo beijo, dê dois beijos completamente diferentes. Como os quadros: que sendo iguais, são tão diferentes...
sábado, novembro 22, 2008
Golconda, por René Magritte
Este quadro entra na eternidade com o nome Galconda, baptizado por Louis Scutenaire, amigo de Magritte, em homenagem a uma maravilhosa cidade indiana que conheceu o esplendor e esbarrou na miséria. Acho a tela fascinante e timidamente confesso que é um caso de paixão à primeira vista. E como todas as verdadeiras paixões, não conseguimos explicar a razão do seu encanto.
Convido o meu bom leitor a questionar-se sobre a razão pela qual os homens de Magritte aparecem suspensos no ar, quiçá elevando-se a caminho do esplendor ou, pelo contrário, numa verdadeira chuva humana, de homens que penosamente caminham para se estatelarem no chão. Todos iguais. Com vestes iguais. Roupas escuras. E com indiferentes chapéus de coco! Como se todos fossem apenas um…
A multidão de Magritte faz-se de homens iguais, uma multidão de um homem só, que se esconde no meio de outros homens iguais, com roupas que lhe permitem viver na penumbra, esquecido dos outros, para se conseguir esquecer de si. A multidão de Magritte é uma multidão de homens anónimos, que se esforçam para passar indiferentes, um perdido no meio de todos, numa praça que fica vazia por estar cheia de pessoas iguais. Como algumas cidades. Como algumas pessoas…
sábado, novembro 15, 2008
sábado, novembro 01, 2008
As grandes banhistas, por Renoir

Renoir conquistou o prestígio que o acompanhou na vida e eternizou na morte, como impressionista. Confesso, na intimidade do post, que me falta a arte para ser um apreciador do impressionismo. Diz-me um sábio amigo, que impressionismo é a musica clássica da pintura, desdenhando do meu fervor surrealista, classificando-a como a musica popular da tela. Admito que sim, mas envergonhado assumo que me falta a perícia para reconhecer no enublado traço impressionista, a mais erudita das artes plásticas!
Sempre me pareceu que Renoir é um pintor de Inverno. Estou ciente que a afirmação supra é uma mega tolice, mas para estes olhos não eruditos, sempre achei que os quadros de autor repousariam perfeitos nas paredes claras de uma casa perdida no verde das montanhas, daqueles com um imenso terraço com vista para a imensidão, recolhidas pelo calor cor-de-laranja de uma lareira a crepitar ao canto de uma sala, onde sentados, homens fumam charutos e deliciam licores. Com as mulheres, na sala ao lado!
Nesta noite fria, partilho com o meu leitor “As grandes Banhistas”, um quadro pintado com cores quentes, onde com uma nítida conotação erógena, Renoir retrata cinco ninfas nas margens de um rio, num banho conjunto onde partilham a intimidade feminina. Corresponde ao período Ingresco do autor, fortemente marcado pela cultura italiana na época, influenciada pelo regresso às origens, o apego à mitologia clássica. Deveria sublinhar que na paisagem distante, se compreende que Renoir ainda não tinha despido completamente as vestes de impressionistas, mas, sadicamente, prefiro sublinhar a atenção do meu leitor, para a representação da ideal de beleza feminino, num tempo em que a anorexia era doença e a gordura era a suprema formosura!
sábado, outubro 25, 2008
quinta-feira, outubro 16, 2008
O menino da lágrima
Sempre me fascinou este quadro. Confesso que não me recordo concretamente onde, mas tenho a quase certeza que algures numa parede que me acolheu, esta pintura imponha-se ao branco da cal. Cometo mesmo a imprudência de confessar que numa fotografia minha que virou pintura, reconheço o mesmo rosto o mesmo olhar.
Sem certezas, vou atribuir a pintura a Franchot Seville, que terá ficado conhecido por Bragolin, provavelmente de origem espanhola (embora se especule que possa ser italiano ou brasileiro).
O quadro está envolto em profunda controvérsia e misticismo: desde logo, esta será uma de quase trinta versões onde são retratados petizes, de parcos recursos, órfãos ou abandonados, que carregam no rosto e olhar as tristezas de uma vida.
Especificamente sobre este quadro, o grande mistério é saber quem é o menino. Apesar de existir a tese de que o retratado é português, Rogério por baptismo, sou apologista da tese mais catastrófica, que reza ser o menino um órfão madrileno, que perdeu a família após um incêndio, comovendo Bragolin que após o retratar, acolheu-o como filho.
O Padre da paróquia procurou demover o pintor da intenção de o receber em sua casa, alegando que o menino atraia o azar, um prenúncio de desgraça, sendo conhecido por El Diabo. O pintor, que vivia de forma abastada da sua arte, foi surdo aos rumores e criou-o como o filho que desejara, sendo a felicidade interrompida por… um incêndio que lhe destruiu o atelier e lhe queimou a fortuna. Reza a lenda que após o infortúnio, Bragolin deixou de conseguir vender os seus quadros, conhecendo o lado negro da miséria. Vagueou pelo mundo conduzido pelo adversidade, sem rumo nem destino, numa vivência miserável que o levou ao desespero: perdido, Bragolin terá feito um pacto com o Diabo, em que vende a sua alma em troco da venda de quadros. E foi bem sucedido: este quadro, em que o menino das lágrimas exibe o olhar de Gioconda, seguindo-nos…
Pergunta-me o bom leitor, qual o trato do pintor com o Diabo? Pois bem! Segundo rezam as crónicas, a pintura está plena de mensagens subliminares, encarna o mal e carrega consigo o infortúnio do autor, oferecendo desgraça àqueles que o possuem…
sábado, julho 26, 2008
Coisas - Parte QUATRO: O Beijo de Klimt
Neste sábado, era obrigatório revisitar Klimt, expor aqui o Beijo, de todos, o meu quadro predilecto!
Pergunta-me o paciente leitor que acompanha estas miseráveis divagações de fim de Julho, porque amo o Beijo de Klimt? Não lhe sei responder: há coisas que extravasam a razão e os sentidos, que nos atacam sub-repticiamente como um sorriso, que nos confundem e desarmam, por vezes até nos ofuscam, deixando-nos encantados antes de perceber o como e o porque!
Podia maçar o meu bom leitor, repetindo frases feitas sobre a excelência do artista ou com misantropas teorias fantásticas sobre beijos!
Quiçá fosse eloquente neste post tão especial, rebater aquele mito de que as pêgas não beijam, invenção hollywoodesca pela tela da deslumbrante Júlia Roberts, deixar testemunho escrito, que sem nunca pagar meretriz, encontrei pegas que beijam, da estirpe mais perigosa, daquelas que nada cobram! E que oferecem os seus corpos, que gritam pulam e guincham, quase acreditando nas verdades das suas mentiras. Ou na ilusão de um castelo de sonhos, resistente como um baralho de cartas, cartas de jogar, não as cartas de amor que o amor se perdeu no tempo!
E onde reside o Beijo de Klimt no meu de tão tolas divagações, inquire-me o mais atento dos leitores, atónico com perturbantes devaneios. Pois bem: o beijo é o resido da verdade, o núcleo único da clarividência, quando as palavras parecem mentir, o olhar perdeu a transparência, quando os gestos faltar à verdade e os actos confundirem-se no limbo da falsidade…
Quando tudo é baço e parece mentir, quando o mundo nos arrasta na confusão dos medos e da incerteza, apenas no beijo encontramos a certeza forte da esperança, num encontro com volúpia dos lábios o caminho para o sorriso, a junção de lábios que se desejam, mais do que na entrega dos corpos, descobrimos a pureza dos nobres sentimentos, respostas para quixotescas inquietações, que nos arrastam e consomem, para que no instante mágico de línguas que se tocam, deixarmo-nos perder no enamoramento puro dos amantes perdidos!
Sim, porque Beijo, seja de Klimt, de Schiele de Rodin ou de uma qualquer trolha marmeleiro é o ultimo resquício da verdade, o momento sublime, a conjugação divina onde os amantes se fundem num só, para percorrerem juntos um só caminho, sem medos, receios e preconceitos, guiados pela certeza de um beijo!
Fala-se muito do primeiro beijo, mas tememos perguntar qual o melhor dos beijos, que raramente terá sido o primeiro! Disseram-me um dia que o melhor de todos os beijos foi o ultimo: nunca desisti de acreditar que o melhor beijo estará algures por aí, num qualquer futuro próximo ou longínquo! E não será as nossas vidas um complexo caminho, com avanços, recuos, medos, cobardias e actos heróicos, na incessante procura do Beijo perfeito? Perfeito como o beijo de Klimt, o ultimo quadro que aqui se comenta!










