As férias são, entre inúmeras pequenas coisas, uma época excepcional para tecer algumas reflexões. Esta vai sobre o Viagra e Prozac.
De quando em quando, quer de forma explícita ou em pequenos silêncios, questionam-me sobre a oportunidade do blogue. Entendem alguns que existe uma profunda inadequação entre o blogue e o gajo que o escreve. Que este espaço tem muito pouca relação com o que sou e com o que faço. Alguns, instam-me a escrever um The End e encerrar este mal frequentado buraco!
Por enquanto, apetece-me ficar por aqui, mesmo ciente e consciente que este espaço gera incompreensões, maledicência e, de quando em vez, perplexidades.
Não ignoro a patente razão de algumas criticas indignadas. Bem sei que a timidez reservada gera uma áurea de aparente arrogância altiva que para muitos me caracteriza, patente num rosto fechado a roçar o trombudo. Que os textos que por aqui deixo, mormente os meus deliciosos Momentos Cosmopolitan, Versão Maria, as alusões a mamocas e ao lustroso Senhor 35 Centímetros, tem pouco ou nada a ver com a pessoa que sou, com muito do que digo ou faço. Mas há algo que é axiomático: dá-me um terrível gozo no fim de um dia cansativo, escrever disparates, dissertar entre linhas, perder-me em ironias, misturar pérolas de estupidez, nacos de frivolidades e pingas assertivas.
Anos depois de academicamente estudar a blogosfera, continuo ser perceber para que serve um bogue, a não gostar da cultura da blogosfera, mas a ter prazer em manter um espaço que, não sendo eu, tem partículas de mim…