Eu gosto de ir à Zara! Não que eu goste muito da Zara, mas gosto de ir à Zara! (trocadilho de com humor inteligente de elevadíssimo valor intelectual, que permite estabelecer a destrinça entre o artigo 222º e 282º do Código de Propriedade Intelectual).
Mas, partilhava com o meu paciente amigo, que sem gostar da Zara, gosto da Zara. Modo das gajas! Eu explico!
A fêmea fauna que frequenta a Zara é especialíssima e merecedora de uma atenção peculiar! Como qualquer outra gaja! Mesmo que não vá à Zara! Não que as gajas da Zara sejam diferentes das gajas que não são da Zara, até porque há gajas da Zara que não frequentam a Zara e gajas que não são da Zara que vão à Zara e gajas que mesmo não sendo, podiam ser Zara, em tudo iguais mais diferentes das gajas que são da Zara, mas não gostam da Zara! Não me interprete mal, minha boa amiga e leitora: eu não faço qualquer distinção entre a gaja da Zara e a que não é, muito menos daqueles que não sendo, o são, ou mesmo as outras que podiam perfeitamente ser, mas por um dos acasos da vida não são gajas da Zara! Não se ofenda comigo a minha boa leitora, que eu não esqueço que seja da Zara ou não, eu gosto de é de gajas! Mesmo que sejam da Zara! Ou não sejam!
Esclarecido de forma inequívoca esta pertinente questiúncula, debrucemo-nos sobre o sémen da questão: contemplar uma gaja dentro da Zara é afrodisíaco delicioso, admirar o brilhozinho nos olhos ao passar a porta mágica, a indescritível perturbação sensorial com que mergulham nas prateleiras carregadas, numa orgásmica busca pela peça perfeita (quando vezes, uma triste e vã ilusão), abstraindo-se do mundo lá fora, dos tsunamis das nossas vidas, que ficam algures, suspensos no tempo, como no mítico limpo! A Zara, esse Olimpo feminino servido em redundantes doses, onde a mulher enfrenta os preconceitos do mundo e ousa ser ela própria, mimando-se, despreocupada em ocultas os seios nos provadores, porque o mundo pode esperar, pela longa peregrinação pela peça perfeita! Que depois da alegria momentânea ficará a jazer pela eternidade, esquecida na puta de uma gaveta!































