Faria de mim uma pessoa melhor se hoje escrevesse que faço essa volta de bicicleta, a pé ou a correr, mas a patética verdade é que o faço invariavelmente de carro, numa triste iniciativa que apenas serve para aumentar o nível de poluição e pagar impostos de combustível ao Estado!
Não vou falar numa estrada em concreto: que podia ser Beja-Neves-Beja, passando pela estrada junto à Ovibeja, a recorrente Beja-Boavista-Penedo-Beja; quando a neura é grande e preciso de me encontrar, então, vou até perto de Baleizão, corto para a estação e rodo até Salvada e depois Beja; ou mesmo ir até Cuba pela estrada junto ao aeroporto, agora num estado lastimável! Também havia uma na sequência do Parque Industrial, quase sempre em terra batida que me fazia chegar a São Matias: mas essa enjoei!
Mas como disse não vou ser o GPS do leitor, nem deixar aqui escrito o encantamento de olhar os campos a perder de vista, um mar sem água, o trigo a dormir ao sol, a beleza única e peculiar dos fardos de palha desenhados na planície, (só de pensar, fico com fome) a sensação quente de olhar o girassol a dançar ao vento!
No carro o inevitável cigarro, vidros abertos com música foleira a dar som ao vento, conduzir devagar, pensar em tudo sem pensar em coisa nenhuma, encontrar-me mesmo antes de me perder...


