Por vezes perguntam-me porque me irrito quando atacam Beja ou empreendimentos nucleares para a cidade, como tem sido recorrente o caso do Aeroporto de Beja! Há uma primeira grande explicação: não sei viver sem paixão! Seja na vida pessoal, seja no meu ensino, seja nas minhas convicções, no meu percurso cívico! Mas nunca uma paixão histérica ou irracional, antes, algo que procuro fundamentar em argumentos racionais, procurando ler, informar-me, aprender com tantas e tantos que sabem muito mais do que eu, com a humildade de admitir o erro, sem procurar evangelizar os outros com as minhas convicções!
Mas, admito, que me vou tornando menos tolerante com quem argumenta com má fé, sem o menor conhecimento das coisas, baseando-se em efabulações, com total despreocupação pelo rigor, com frases redondas e lugares comuns ou se deixa influenciar pela espuma dos dias; como me falta paciência para os cristãos novos que desde há vinte anos auguram o projecto, com todos os mais estapafúrdios argumentos: primeiro o base tinha de ser apenas militar porque era imprescindível para a defesa na nação, depois não era viável, depois era preciso uma nova pista, depois era preciso uma pista maior, depois uma pista mais pequena, depois a pista era mole (ou dura, já nem sei!)... i e, todo o rol de argumentos, sempre rebatidos com os factos, com o único objectivo de atacar o investimento!
Agora que a obra terminou, surgem os betinhos de cascais, o idiotazinho da tvi e alguns acólitos com a teoria maravilha que esta obra é o exemplo dos despesismo socrático! E pasme-se, por cá, há quem aplauda e fique feliz!
Uma obra que começou a ser estudada no tempo de Cavaco Silva, que começou no tempo de Guterres, foi confirmada por Barroso, aplaudida por Santana Lopes, demorou um disparate de tempo no reinado de Sócrates para apenas estar concluída a dias de Passos Coelho é, para estas cabeças pensadoras, o grande exemplo do despesismo socrático! Uma obra que custou 4 km de auto-estrada é o grande exemplo de despesismo no pais dos dez estádios, do metro do porto, do ccb, das parcerias publico privadas, das auto-estradas que não vão dar a lado nenhum, dos viadutos nos ip`s, da cril, da ponte do mondego, dos 5000 centros culturais vazios, das fundações, das empresas públicas, das empresas municipais e tantos outros exemplos!!Haja paciência e gajas boas!
Deixemo-nos de merdas! O Aeroporto em Beja é atacado porque há ainda um país que acha que apenas se deve investir em Lisboa e Porto, outros acham ultrajante uma cidade como Beja ter um Aeroporto, outros ainda porque se deixa contaminar por vergonhosos interesses económicos que usam a imprensa para influenciar algumas mentes mais simples e, há que reconhece-lo, alguns que genuinamente ficam assustados perante tudo o que é novo! E a vida é feita de diversidade: por estranho que pareça, ainda há pessoas, hoje, com a suprema ingenuidade de defender que se destrua a Portela para se fazer um novo Aeroporto em Alcochete, com mais uma ponte, mais um metro e mais uma auto-estrada! O Aeroporto de Beja é atacado por uma total incapacidade de ver a longo prazo, por esta fobia tonta de exigir que o investimento seja rentável 45 dias depois da inauguração, por desconhecer que nem porto nem faro o são, porque, nestas obras, não se exige que o aeroporto em si seja rentável, mas que o impacto para a região seja positivo!
Não defendo o Aeroporto de Beja apenas por ser bejense! Defendo-o porque é sinal estruturante para o desenvolvimento do interior do país (se podemos falar em interior num pais de duzentos quilómetros de largura!!!), porque num país de novo riquismo absurdo onde nos deslumbramos com o novo, adaptar o que já existe poupando milhões merece aplauso, pela sua raridade e pela pertinência do exemplo!
Claro que nem tudo é perfeito: a obra protelou-se demasiado, pelo caminho perdemos a hipótese de ser a base de operações da Ryanair, podíamos ter sido o entreposto na Europa do transporte aéreo de correio, perdeu-se a hipótese de uma fábrica, por estranhas razões a embraer não aterrou aqui, o patético atraso na atribuição da gestão do aeroporto e que, para mal dos nossos pecados, o aeroporto abriu em plena crise económico mundial, com o país de cócoras perante os credores pelo que, por estes dias, a única certeza económica é a incerteza!
Mas reconhecer problemas não é teme-los, porque a cobardia enoja-me.A inauguração do aeroporto não foi o fim de um percurso: foi apenas o primeiro dia! De muitas lutas que se seguem! De um manto imenso de dificuldades e incompreensões! De erros que ainda se vão fazer! Sabemos que vai ser difícil, mas, no alentejo, habituámo-nos que tudo para nós é dificil (40 décadas a esperar por alqueva, ouvindo os mesmos absurdos argumentos que agora ouvimos!).
Critiquei a escolha da ANA, critiquei imenso os anos que se perderam sem atribuir a gestão do aeroporto que só agora permite começar um trabalho que devia ter sido feito anos atrás: mas não quero sentar-me a gritar que tive razão, porque gosto de estar do lado de quem apresenta soluções, não dos que se querem fazer notar por trazer problemas!
Quem defende o Aeroporto, em geral, a ANA em particular devem ter a humildade de aprender com todos os que de boa vontade querem ajudar o processo; era muito importante que para o fim de Setembro a ANA reunisse com a população para receber contributos, ouvir opiniões, debater, ser confrontado com criticas, porque pobres daqueles que tudo pensam saber e se acham cheios de certezas! Digo muitas vezes e repito-o hoje: as pessoas não são estúpidas, apenas precisam de ser informadas! E por falta de informação é que assistimos a tenta gente de boa vontade, algumas até inteligentes, a dizer tanta tolice, pelo que, mais do que qualquer outra coisa, merece a nossa tolerância!
Para o aeroporto ser o que desejamos, todos somos poucos pelo que urgem consensos, urge reunir todas as pessoas de boa vontade, venham de onde vierem, para a defesa da nossa região, obrigando as vozes institucionais a despertarem deste irritante silêncio! Com garra, com paixão, com entusiasmo!