sábado, fevereiro 12, 2011

Guernica, Pablo Picasso

Sempre assumi a blasfémia de não ser especial apreciador de Picasso! Não tenho em reconhecer que com toda a certeza a culpa é minha, apenas minha, toda minha, serei pouco requintado, não guardo em mim a dimensão intelectual para apreciar a genialidade da sua obra, não fosse ser preciso um génio para apreciar outro!
Mas desde puto que este quadro me impressiona, desde um tempo em que não imaginava quem era Picasso nem a tragédia da dor nos corpos mutilados: recordo-me, um metro de gente, na sala de receção do meu médico - médico desde sempre e amigo como poucos - de ficar extasiado a olhar o quadro, fascinado, mas, naquele tempo como hoje, incapaz de o compreender em toda a sua bruta dimensão! 
Num cubismo perfeito, Picasso rouba a cor do quadro, mostrando-nos a crueldade suja e negra de uma cidade destruída pelas bombas loucas da tirania, a perfídia de quem tudo faz para garantir os seus mais hediondos ideias, o sofrimento, a perda, a dor de uma guerra, com uma dimensão de cruel que nunca tinha sido vista, para se repetir na década seguinte! 
Na sua guernica, Picasso evoca desde o seu exílio parisiense a Guernica destruída, juntando o seu pincel às vozes que morreram numa Espanha devassada pela liberdade e pela democracia!

3 comentários:

  1. Arrisco comentar antes de ler o post, pq já me habituei a vir aqui espreitar "Porque Hoje é Sábado", que gosto de ler o que tens para dizer.

    Feliz final de semana H

    notinha: Klimt... ;)

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  2. Pessoalmente tb não sou grande fã de Picasso. Qualquer que seja a obra de arte procuro sempre algo que me surpreenda pela positiva, que me evada, algo como... "recordar o que nunca aconteceu" (Zafón).

    Mas a curiosidade deste post levou-me a navegar um pouco sobre Picasso e encontrei que "Esse quadro foi feito também com o objetivo de passar para os que vissem, o que ele estava sentindo, um vazio por dentro de si, um conflito, uma guerra consigo mesmo buscando resposta para a sua vida amorosa, e toda vez que ele via o quadro, pensava consigo mesmo, será que o meu problema é maior que essa guerra" (algures na net).

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  3. Acabei de o ver a pintar Modigliani o seu "rival" e meu preferido, que foi um pintor romântico e irreverente!

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