quinta-feira, janeiro 14, 2010

Vale a pena pensar nisto...

Depois de corajosamente se terem aniquilado os patéticos constrangimentos ao direito constitucional ao divórcio simples, permitindo ao cônjuge desembaraçar-se com facildade do outro e de finalmente Portugal ter abraçado o comboio da liberdade, consagrando o direito a duas pessoas do mesmo sexo casarem uma com a outra, entendo ser o momento adequado para se legislar no sentido de acabar com uma das mais profundas discriminações do século XXI, a oportunidade inadiável de derrubar um dos maiores preconceitos do tempo actual!

Defendo e insto todos a defender, mormente os deputados regionais que podiam ser pioneiros nesta iniciativa, colocando Beja na rota da modernidade e fazendo valer na capital uma visão alentejana do mundo, que se proponha a criação de legislação e que o Parlamento aprove com carácter de urgência, o Estatuto Jurídico da Amante! É inadmissível que em pleno século XXI, as amantes continuem a ser vítimas de preconceito social, condenadas pela sociedade, apontadas nas ruas, sendo privadas do mais elementares direitos de cidadania que todos os seres humanos devem ter, absolutamente desprotegidas pela lei, ao abrigo de princípios passadistas, inspirados numa sociedade burguesa, atrasada e salazarenta!

Está mais do que na altura de os nossos políticos, quer Governo quer Oposição esquecerem as miudezas que os separam e em comunhão terem a coragem de resolver os problemas realmente pertinentes que afectam a portugalidade, o momento de gritar bem alto BASTA, de não continuarmos a fechar os olhos à hipocrisia de fingir que não estamos atentos aos verdadeiros dramas sociais: que haja a coragem de reconhecer que por detrás de cada amante, está um coraçãozinho triste e solitário, alguém que escondida na sombra desespera por um amor, que apesar de correspondido, está sequestrado e amarrado a convencionalismos retrógradas!

Não ter a coragem de legislar sobre as expectativas jurídicas e os legítimos direitos das amantes, continuar surdo ao devir da sociedade, continuar a ignorar a realidade, na esperança vã de que o silêncio possa escamotear uma realidade que todos sabemos que existe, nesta opacidade grotesca é uma das grandes cobardias dos tempos modernos, que urge combater, por esta é uma batalha pela dignidade da pessoa humana!

É inconcebível que a amante continue a não ter direito a dias de visita determinados, que seja privada do convívio com o amante no natal, ano novo, aniversários e todas as outras efemérides sociais, esteja desprotegida quando existe uma ruptura da relação, que possa ser abruptamente privada de pensão de alimentos, não tenha nenhum direito à habitação e seja excluída dos direitos sucessórios, algo terrivelmente injusto, porquanto se partilha com a esposa o débito conjugal, será da mais elementar justiça que tivesse direito ao seu quinhão testamentário!

Se pretendemos ser uma sociedade europeia, moderna, se desejamos que o nosso Direito acompanhe a evolução da sociedade, que a lei seja um farol da liberdade e um arauto da não discriminação, não podemos ficar presos a estereótipos do passado, porque quando tudo muda nada fazer é ficar no lado errado da História: mais que um direito, o estatuto jurídico da amante é um passo necessário e premente, para criar uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais solidária!

16 comentários:

  1. Anónimo00:30

    O sr. tem momentos deveras infelizes, este é um deles. Forçado e completamente injusto.
    Ainda se fosse o tal humor inteligente com o qual tantas vezes nos presenteia...
    Mas assim??? Leva-me a pensar que talvez esteja num mau momento da sua vida. Se assim for, desde já a minha solidariedade para com o seu sofrimento.

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  2. Não entrou no "espirito" da igualdade...só refere "a amante"..eheheheh

    O texto está soberbo!
    Parabens

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  3. Que grande testamento. Não era mais fácil a poligamia, ou deixar a vida de amante... digo eu.

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  4. Anónimo02:59

    hoje estou demasiado derreado para escrever o que quer que seja sobre o texto que escreveu.

    vou dormir sobre o assunto e amanhã logo lhe transmito qq coisa querido.

    pode ser fofo?

    beijinho grande minha coisa linda!

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  5. Anónimo04:51

    o "Sr." ate poderá ter "momentos infelizes" mas este nao será, decerto, um deles. isto é um texto cómico, e a comédia faz-de a partir dos mais importantes temas às mais pequenas insignificâncias. MUITO original e bem lembrado, o tema da discriminaçao e do direito de igualdades da amante. LOLOLOL continua a escrever

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  6. Anónimo10:31

    Olhe, nem sei o que lhe diga...
    Não percebi muito bem qual o objectivo!??
    Quer mais direitos para as amantes??
    E se deixarem de ser amantes e passarem a ser mulheres ou namoradas? Não é mais simples?
    No entanto também há a hipotese de perguntar à mulher se pode ou não ter amante...às vezes há "merdas"...e ela até pode concentir...
    Por outro lado percebo qual a sua preocupação. Então antes eram sete mulheres para cada homem e agora que eles se podem casar com eles, quantas passam a ser?
    Há que arranjar solução para esse "problema".
    Não é?
    Talvez o casamentos com várias mulheres...ou vários homens
    Aí já não são amantes...

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  7. Anónimo11:02

    igualdade ??? então e os amantes????

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  8. NOTA: Não vou comentar ou tecer esclarecimentos sobre este post: penso que o texto é esclarecedor!
    Saber ou não lê-lo, já não me compete a mim...

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  9. Anónimo14:50

    Brilhante: de longe o melhor que li para criticar o casamento homossexual! Infelizmente parece-me demasiado rebuscado para um blog!

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  10. Anónimo17:15

    O pior de tudo é terem uma vida digna de agente secreto e não ganharem nada com isso a não ser uns momentos de sexo quente!

    Epá, não chega! É curto!

    E concordo com essa cena do Natal, etc. Um ano a mulher, o outro a amante. E o resto a mesma coisa!

    E isto serve para eles também, claro.
    Acho que está implicito!

    Muito giro!

    A não ser que se estivesse a falar do carácter das pessoas. Ou a falta dele... Acho que é mais isso.

    As mesmas, em muitos casos, que quando foram traidas disseram que eles eram uns sem carácter e elas umas putas. Mas agora fazem o papel de putas juntos de outros sem carácter (mais uma vez serve para os dois lados)

    Mas, repito, acho que não é disto que se fala. É só para rir mesmo... e pensar um bocadinho. Talvez!

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  11. Às vezes fico estupefacto com a imaginação destes textos.

    Realmente dá que pensar!

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  12. Estou de alma e coração consigo!
    O amante e a amante legalizados e com estatudo de igualdade.
    A poligamia e a poliandria para quem a queira assumir.
    Porque não?
    Porque não a família comunal para quem a queira! Com ou sem sexo. como nos conventos.
    Porquê só a família nuclear?

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  13. Caro H,

    Pode culpar a Raquel por me ter enviado para aqui. Ela disse que era o "meu estilo". Como ainda só li este texto vou-me abster de tecer uma opinião para além de que discordo totalmente de si!

    A Amante tem de ser defendida tal como está. Tem direitos que sobrepõe os da Casada.

    Ora vejamos:
    Tem acesso ao fruto proibido que é sem dúvida aquele a que todos anseiam.

    Tem a atenção sexual que a maioria das Casadas nem sonham que existe.

    Tem, muitas vezes, melhores prendas para compensar o secretismo a que estão obrigadas.

    São melhores na cama enquanto têm de manter o investimento próximo. (esta talvez se pudesse incluir nos deveres...)

    Por serem melhores na cama causam maior felicidade ao prevaricador.

    Têm o direito a ser comentadas (não só entre os amigos do prevaricador como pelas senhoras de má língua que não têm mais nada para fazer)

    De momento não me ocorrem mais embora esteja certo que existam muitos mais!
    Pode-se inverter tudo para o Amante. Nos dias de hoje e com a subversiva independência da mulher não me arriscaria a dizer que tal não é possível...

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  14. A mesma pessoa falou-me no seu.. e gostei bastante! Espero ve-lo mais vezes por aqui!

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  15. Caro Capitão,

    Poliandria não!! Que eu tenho 4 irmãos!!

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  16. Nuno:

    Não fazia a minima ideia de como pode ser bom ser amante...

    Sempre vi a amante de uma forma "pequenia",um escape, uma mulher só, triste, infeliz e mal amada ....sem amor proprio...

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Respeite as opiniões contrárias! Se todos tivéssemos o mesmo gosto, andávamos todos atrás da sua namorada! Ou numa noite de copos, a perseguir a sua mulher!