Segundo Sunvil Discovery o Aeroporto de Beja deverá ser inaugurado em Abril deste ano e o operador oferece aos seus clientes a descoberta de uma “região diversificada e preservada”. No texto promocional do destino, o autor discorre sobre os encantos das aldeias caiadas de branco e as paisagens a perder de vista.
Em termos de referências de localidades a visitar, o destaque vai para Évora, como cidade Património Mundial, Monsaraz e Marvão, não sendo feita qualquer referência à cidade de Beja.
A gastronomia, com referência aos queijos, aos azeites e à doçaria conventual, e ainda às vinhas da região com a sua Rota dos Vinhos, são outros dos aliciantes para a visita. O texto recorda ainda que a região também possui um litoral Atlântico, com magnificas praias desertas e excelentes pratos de marisco em abundância."
"O que nunca ninguém diz, porventura com medo de parecer vaidoso, é que a inteligência tem um preço: a solidão" (Nuno Lobo Antunes)
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
O Cisne Negro
Soberbo! Arrebatador! Excecional! Sublime! Grandioso! Magnânimo! Mas já chega de falar do meu pénis!!!
O post é sobre o Cisne Negro, filme que vai dar o Óscar a Natalie Portaman, por uma representação soberba! Transcende as palavras a dureza física do papel, a metamorfose da belíssima atriz num corpo anorético, apenas com uma tímida sombra de beleza e charme!
É despiciendo comentar que a banda sonora é sublime, não fosse inspirado no inconfundível Lago dos Cisnes: mas a verdade é que a música excecional tem o condão de nos tocar como se fosse a primeira vez, de nos provocar sensações que embora já conhecidas são eternamente novas!
Não vou discorrer sobre a eterna luta entre o bem e mal, o confronto entre o branco e o negro das nossas vidas, até porque, sou alguém que acredita que todos nós somos feitos de cinzento, sendo que o que nos separa, são os tons com que vestimos as nossas ações! O que me arrebatou no filme - demorei uns segundos a conseguir levantar-me após o final - foi a forma sublime e grandiosa como se desenha na tela a terrível guerra pelos sonhos, a dedicação e o empenho a uma causa, a juventude exclusivamente dedicada a uma arte, a devoção a um ideal!
Há algum tempo que não tinha o privilégio de assistir a um filme tão extraordinário! Horas depois de terminar, ao colocar no papel estas palavras, sou impotente para não pensar, que em cada um de nós, convive um cisne branco preso a um cisne negro...
domingo, fevereiro 06, 2011
A primeira noite...
Era a primeira vez que iam estar juntos. Bem, claro que já tinham estado juntos inúmeras outras vezes, mas aquela noite seria a primeira que se iam amar! Enfim, talvez amar seja um exagero romântico, um eufemismo para uma queca. Mas não fique o amigo que tem a amabilidade de me ler, com a errónea convicção que Manuela iria apenas entregar o seu corpo: estava genuinamente apaixonada por Óscar, como em poucas outras vezes nos seus vinte e quatro anos de confusos amores perdidos! Demorou séculos a escolher a indumentária perfeita! Reconheço que séculos, pode ser um exagero, mas acredite que Manuela teve intermináveis horas a escolher com apaixonada minúcia cada peça de roupa. E como compensou!!! Por pudor, não vou torturar o meu leitor solitário com a descrição de Manuela, não direi uma palavra sobre a sua mini saia deliciosamente curta, meias de ligas, sem cuidar de usar cuequinhas, nem mencionar que levava uma blusa justa de generoso decote, permitindo exibir parte dos seus fartos e mimosos seios. Jantaram juntos, no melhor restaurante da cidade, acompanhando as iguarias regionais com um soberbo vinho tinto, que os deixou ainda mais descontraídos. Não foram a nenhum bar: o calor dos corpos sedentos de desejo, arrastou-os para casa dele, onde uma lareira acesa os esperava aconchegante. Ele foi exímio nos preliminares, deixando-a em êxtase, ansiosa por o sentir dentro dela. E ele não se fez rogado! Possuiu-a com volúpia num intenso prazer, sussurrando-lhe ao ouvido palavras certas e sábias em direcção ao orgasmo. Até que o crepitar da lareira se interrompeu em silencio, deixando ecoar na noite um intenso peido, daquele cuzinho lindo, naqueles dias ainda imaculado. Manuela corou! Óscar ainda tentou disfarçar, mas o cheiro do peido dela era demasiado intenso para ser ignorado. Ela vestiu-se, em silêncio, perante a incredulidade nauseabunda. Sem dizer uma única palavra, Manuela abandonou a casa de Óscar, levando consigo lágrimas e uma certeza: nunca mais comer feijoada no dia da primeira queca!
sábado, fevereiro 05, 2011
Há coisas que é uma perda de tempo comentar...
... porque o aproveitamento partidário da sociedade civil é uma coisa abjecta!
O Beijo de Magritte...
... é como gosto de chamar este quadro, fingindo que ignoro que o nome do quadro é os amantes! Ou um dos amantes de Magritte!
Não gosto da conotação da palavra amantes, como se, os amantes não fossem aqueles que se amam, como se os amantes tivessem necessariamente escondidos no pecado do obsceno, presos numa teia de inverdades, falsidades, mentiras e enganos!
Prefiro ler neste quando um beijo, roubado, mas puro, singelo, ainda belo! Imagino-os de rosto escondido, coberto sobre um manto que os torna anónimos, porque este é o primeiro beijo e quando os lábios se unem pela primeira vez, estão cobertos no quente manto do desconhecido, a excitação irrepetível do inaudito, aquele mágico momento em sentimos o céu a romper-nos o peito!
Pergunto-me porque se escondem as mãos, se se afastam, ou se se entrelaçam no recato do quadro, no ocaso da tela, se se procuram na esperança de se encontrar e ficarem unidas para sempre! Ou não! Porque a personagem masculina traja as cores escuras de Magritte, um preto demasiado negro que quase indicia o luto, num contraste, com a personagem feminina que veste um vermelho forte, de paixão e de amor!
Olho o quadro o esboço um sorriso intimo, comentando comigo mesmo, se a menina de vermelho não está a ensinar o senhor sisudo as cores do amor verdadeiro...
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
Era tão melhor se eu conseguisse ficar calado...
Na vida temos de perceber que há guerras que não vale a pena travar! Não por temer a derrota, porque quem luta por ideias nunca perde, mas pela humildade de reconhecer a impotência, pelo cansaço de ser o bandeirante de causas perdidas, por uma incapacidade para lutar por ideias no meio da mesquinhez das lutas de interesses!
Um dos grandes problemas desta coisa que insistimos em chamar de País é a tesão legislativa, este encantamento por criar leis e regulamentos, esta convicção supra-religiosa de que juntando legislação sobre os problemas, pela magia da norma, os problemas se resolvem!
Temo que algo de muito semelhante se passe no mundo universitário: que se façam reformulações de cursos na esperança de mudando algumas cadeiras – por vezes alterações meramente formais – os problemas desapareçam! Ou que as mudanças resultem do aborrecimento: como esta semana há pouco trabalho, buga reformular os cursos!
Sou profundamente conservador no meu ensino: procura inovar no método, mas não gosto de experimentalismos! Não fecho aos olhos à mudança, mas um paradigma não se muda em cima do joelho, apressadamente, sem que por trás tenha uma profunda reflexão, um estudo comparativo, a consolidação de resultados, que se possa fazer com o aventureirismo apaixonado das primeiras impressões! Uma mudança não se faz contra pessoas, mas também nunca pode esquecer que as pessoas não podem ser mais importantes que as Instituições, sob pena de mergulharmos na promiscuidade de esquecer a nossa razão de ser!
Não contem comigo para discussões histéricas e estéreis sobre o acessório, sem meditar primeiro no principal: qual o papel dos professores no século XXI, qual o papel das disciplinas, estamos a formar pessoas que consigam pensar pelos seus meios ou hoje os Politécnico são uma espécie de formação profissional para o desemprego e emprego não qualificado?!
Sem perceber o essencial, discutir o acessório é aborrecer neurónios! E para aborrecer neurónios, prefiro mulheres despidas com roupa de marca!
a diáspora dos baixos alentejanos
Sempre que tento inventar uma "rubrica" para o blogue dá estrume! Falta-me a capacidade para me algemar a mais vínculos: há muito que decidi escrever aqui no calor do sentimento, sem ficar preso a estilos ou compromissos, sem ter outra obrigatoriedade que a obrigação de escrever! Que é quase sempre prazer! Tantas vezes um reencontro!
Mas há algo que há meses tinha em mente! E estranhamente não inclui mulheres desnudas ao maminhas saltitantes!
O que tenho em mente é algo como um apelo aos alentejanos na diáspora, abrir o blogue aos bejenses que andam algures por aí, por esse mundo confuso e estranho, um convite para escreverem umas linhas sobre as suas vivências, o seu quotidiano, as suas saudades, os seus desejos, aquilo que a caneta e a consciência lhes apetecer colocar no papel!
Hoje lanço o repto, que é igualmente um pedido aos leitores, para que o façam chegar a quem está longe! Porque poderá ser uma coisa gira! Quem quiser participar, dar sugestões, mandar-me à merda, use o mail do blogue: ireflexoes@gmail.com
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
Acho impossível ter um blogue sem pensar em acaba-lo! Porque um blogue nunca é a esposa legítima com que se casa para a vida, procriar e deixar passar o tempo junto à lareira; o blogue é uma amante caprichosa, que nos dá algum prazer e toneladas de infelicidade, momentos de prazer roubados à pressa, tumultos interiores, uma vontade imensa, intensa, constante de dizer adeus. Para sempre!
Ontem por duas vezes, esta manhã, mesmo agora ao escrever estas linhas, olho a folha vazia, com a convicção reforçada que ficava melhor vazia do que com estas linhas!
Porque alimentar quotidianamente um blogue, procura nos confins da memória algo diferente para aqui partilhar, fugir da tentação de ir ao arquivos e reescrever o que já foi escrito, colocar aqui mails tontos e menos tontos que vou recebendo, mais do que um exercício de imaginação é um ato deliberado de masoquismo! Até porque se houve um tempo que este blogue tinha objetivos pessoas e cívicos, perdeu estes e aqueles temo que se extraviaram!
Aliás, é bem possível que o próprio blogue se tenha extraviado ele próprio e hoje seja algo abominável ou a sublime contradição deste espaço ser a perfeita antítese de quem o escreve, um verdadeiro heterónimo que corre algures por aí, com desnorte e sem sentido, alheio ao caminho de regresso a casa! Ou sem local onde chamar casa! Mas porque mesmo nas contradições há coerências, falta-me a paciência para discorrer sobre parvoíces de uns e outros no Facebook - não junto uma palavra ao que escrevi em dezembro -, sobre um jogo de futebol onde quiseram fazer da besta bestial e do bestial besta - e muito menos me apetece escrever nas três dezenas de simulações -, na politização do comboio, ou de tantas e tantas coisas importantes sem importância nenhuma!
Porque importante hoje, é apenas dizer Obrigado! E perceber que é nos momentos especiais que percebemos o que é importante!
terça-feira, fevereiro 01, 2011
In memoriam do meu avô..
Com o travo amargo de quem não o conheceu tanto como ele merecia!
vamos fingir que somos nórdicos?
Nunca escondi que tenho fascínio pelos países nórdicos! E não pense o perverso leitor que vou aqui falar de suecas ninfomaníacas a gemer na nossa porta ou essas outras coisas que vocês passam o tempo a pensar! O que me apaixona nos países do norte da europa é o elevado sentido cívico!
E invejo isso! Porque gostava de viver numa sociedade assim! Por estes dias passava na TV um comentário onde se falava nas escapadas para a montanha e no uso comum de pequenas casas arcaicas aqui construídas! A única regra é que quem utiliza a lenha ter de repor! E pensei em Portugal! Na nossa estranha forma de ser!
Onde era impensável a ideia de construir uma cabana na serra para outros usarem! Porque obviamente ninguém repunha a lenha! Porque em três tempos partiam a cabana toda! Porque a deixavam suja, imunda! Porque o espaço colectivo é a nossa lixeira privada!
Por culpa dos governos e dos governantes...
segunda-feira, janeiro 31, 2011
Porque eu sou benfiquista!
Obrigado David Luiz! Sem dúvida um dos grandes jogadores do Benfica dos últimos anos! O Benfica hoje é um clube mais triste, com menos garra, com menos amor à camisola!
Se eu fosse Sportinguista...
... fazia agora um post a dizer Obrigado Liedson! Porque apesar da estúpida mania de marcar golos ao Benfica, com um excepcional atleta! O futebol português ficou mais pobre hoje!
Uma péssima notícia...
O operador turístico britânico Sunvil Discovery é a primeira empresa a promover o Aeroporto de Beja como destino.
Os voos charters que o operador se propõe realizar todos os domingos a partir de 22 de Maio e até 9 de Outubro, sairão do aeroporto londrino de Heathrow às 06:00 e a chegada ao Aeroporto de Beja está prevista para as 08:40. Os voos de Beja para Londres partem às 09:40 e a chegada Londres – Heathrow está prevista para as 12:30.
O preço de lançamento para este voo ida e volta será de 198 Libras, aproximadamente 230 Euros e 109 Libras (127 Euros) para uma viagem apenas de ida ou de volta.
Os voos charters que o operador se propõe realizar todos os domingos a partir de 22 de Maio e até 9 de Outubro, sairão do aeroporto londrino de Heathrow às 06:00 e a chegada ao Aeroporto de Beja está prevista para as 08:40. Os voos de Beja para Londres partem às 09:40 e a chegada Londres – Heathrow está prevista para as 12:30.
O preço de lançamento para este voo ida e volta será de 198 Libras, aproximadamente 230 Euros e 109 Libras (127 Euros) para uma viagem apenas de ida ou de volta.
E que tal, falar sem ser aos gritos, sobre cOltura!
Está a ver a foto?! Esqueça-a! Porque não consegue ver nada de relevante na foto! Mas não consegui encontrar a foto que queria! E não tenho máquina! Por acaso até tenho telefone que tira fotos, mas, com o frio que está, teria de ser ainda mais parvo do que pensam, para sair de casa para ir tirar uma foto ruim! Pelo que escolhi uma foto por aproximação!
Porque sexta pela primeira vez disse publicamente algo que há muito estou convencido: aquele velho edifício perto da estação, na Rua da Lavoura, que ardeu há muitos anos, num tempo em que as mulheres ainda usavam cuecas, dava um excepcional ninho de criadores, uma verdadeira casa da cultura, com atelier e artistas! Numa obra que pode ser muito mais barata do que se pensa! E feito por módulos! E, não tenho pejo em repetir, se necessário fosse, usando os terrenos da casa que chamam de cultura como forma de financiamento!
Porque se queremos que Beja seja capital também na cultura, não basta uma excepcional programação: é preciso apoiar a criação! Sem ser continuar a derramar dinheiro em cima da cultura: oferecendo condições!
domingo, janeiro 30, 2011
Aqueles malucos dos comboios!
É fácil assinar uma petição on line! É fácil motivar outros a assinar colocando um link para a dita cuja aqui no blogue! É fácil escrever umas palavras mais ou menos inspiradas sobra a importância geo-económica dos comboios! É facílimo coçar os tin tins e culpar alguém pelo ramal! Dificil é ir para a rua pedir assinaturas, numa tarde de Domingo, com o frio terrível! Por isso fica um abraço de parabéns para o Baiôa, Jorge Caetano, a Sílvia, uma rapariga da minha idade cujo nome nunca me recordo que estavam na porta do Modelo altruisticamente a lutar por nós! E aos outros que estavam ou estiveram em outros locais! É desta gente que Beja precisa!
E já pensou num arroz de marisco?!
É provavelmente um dos pratos portugueses pior tratado da pátria, vilipendiado por assassinos gastronómicos, que fazem mistelas terríveis e cometem a obscenidade de lhes chamar arroz de marisco!
Desmascarado isto, ofereço-vos o meu, ciente que corro o risco de ganhar o epíteto que adjectivei os outros!
Eu sei que escolher este prato no fim do mês de um ano de penúria poderá ser uma ideia infeliz! Até porque carrego comigo uma teoria muito minha, que encontra um paralelismo entre o arroz de marisco e a prostituição: a ter mesmo de acontecer, que seja de luxo, com tudo o que merece! Porque um dia não são dias!
Aqui vamos! Um refogado com cegola, muito alho, pimento (de preferência padron), sal e piri-piri! Depois tomate! As virgens púdicas vão refilar mas eu uso tomate de lata! E não me venham com a treta que não é a mesma coisa! Tenho 35 anos e nunca ouvi ninguém dizer: esses tomates são uma maravilha ou se soubesse que tinhas uns tomates tão bons já tinha comigo!
Depois do tomate ir fazer companhia à cebola, junte o marisco! E aqui é que a coisa complica! Ideal seria uns camarões abertos ao meio, umas ameijoas (experimente as japonesas, com excelente relação preço/qualidade) e, obviamente que meia lagosta daquelas congeladas, seria soberbo! Mas há um truque que faz toda a diferença! Meia sapateira! Sim! Meia sapateira! Comprar uma sapateira congelada e dividir em duas! O que não pode ser no Modelo porque aquela gente recusa-se! Vêm com uma desculpa parva da ASAE e feitos tontos recusam-se!
Junte o marisco e água a gosto! Depois o arroz! E deixe ficar uns 25/30 minutos! Ou mais! Ou menos! Não conheço o seu fogão, a temperatura a que cozinha, pelo que é estúpido estar a dar-lhe o tempo que demora! Mas não tenha pressa! Porque tal como o oral, nunca devemos apressar o arroz de marisco!
sábado, janeiro 29, 2011
Encontro sobre a alternativanas artes, na cultura e na sociedade
Por acaso tinha lançado um repto ao Lendias de Encantar para impulsionarem algo semelhante! Tenho pena que esta discussão não se faça em Beja: sem histerias nem aproveitamentos, num espírito construtivo e de unidade!
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