sexta-feira, março 05, 2010

Fernando Nobre




Quando o mundo descobriu que estava perante a mais grave crise económica das últimas décadas, que subjacente a essa crise estava o completo desrespeito pelas mais elementares normas éticas e uma obsessão patológica por lucros fáceis, muitas vozes, decretaram o fim do capitalismo, não disfarçando o desejo de um regresso aos valores do socialismo, entendido como os primados dos regimes comunistas!
Reconheço uma enorme vantagem ao comunismo: é mais justo na repartição da riqueza, diminuindo a distância entre ricos e pobres, com excepção dos titulares de cargos políticos, que em todos os regimes comunistas viveram em ostentação, não obstante a miséria do povo. Mas se reconheço esta vantagem ao comunismo, afasto-me dele, porquanto a igualdade consegue-se tornando todos mais pobres, porque se o comunismo é generoso a repartir a riqueza, é inapto para a produzir, conduzindo à miséria. Por outro lado, sendo verdade que o comunismo é um processo que nunca culminou, todas as experiências realizadas, tiveram em comum a supressão da democracia e da generalidade dos direitos individuais!
Permitam-me um paralelismo: defender o fim do capitalismo devido à crise, tem o mesmo sentido que acabar com a democracia, porque algumas das nossas Instituições não honram valores fundamentais! A democracia e o capitalismo são péssimos sistemas, cheios de falhas: mas são sem a menor dúvida os melhores sistemas que conhecemos!
Não é licito inferir-se das minhas palavras a defesa da teoria da cegonha: se desde há muito no meu ensino trato da pertinência da regulação, o actual estádio da democracia portuguesa deprime-me! Quem lutou até ao 25 de Abril contra a ditadura de Salazar e a incapacidade de Marcello para a transição e depois até ao 25 de Novembro por uma verdadeira democracia, não tem no Portugal de hoje grandes razões para sorrir!
Os partidos, esse mal necessário da democracia, confundem-se com o Estado, utilizando-o em seu proveito, gerando uma elite de idiotas que se alimentam de injustificadas benesses e regalias, alicerçados nesse covil de promiscuidades que são as juventudes partidárias, verdadeiras Universidade de imoralidades, que ao longo destas décadas têm formando um bando de sanguessugas da riqueza nacional!
A doença, quiçá crónica, que vitima a partidocracia, que repele quem é competente para dar protagonismo a parasitas, é hoje uma das mais plausíveis explicações para o “Estado da Arte” da sociedade portuguesa, atrofiada no meio da mediocridade reinante, submetida aos ditames de poderes ocultos e opacos. E num contexto como este, numa época em que a qualidade da democracia é um tema pertinente, merece aplauso o surgimento no espectro politico de um candidato presidencial como Fernando Nobre.
Se aplaudo e sinto uma enorme esperança com esta candidatura, sinto que ainda é prematuro declarar desde já o meu apoio: mesmo sendo agnóstico não me custa reconhecer que a Irmã Lúcia tenha sido um ser humana excepcional, mas jamais teria votada nela para Presidente. Dito isto, se reconheço em Fernando Nobre qualidades humanas de excelência, se me encanta o surgimento de um rosto profundamente independente liberto da teia abjecta dos partidos, se aplaudo a coragem de quem por imperativos éticos aceita sair do conforto da imparcialidade para se sujeitar aquilo que os tugas melhor dominam, ou seja, a arte da maledicência, preciso de conhecer melhor o pensamento político do candidato, para tomar uma posição.
Tenho dissertado que a patética situação politica dos últimos anos, não reside nos lideres dos partidos, que acreditam lutam por um País melhor, mas na corja anónima que se acantona nos partidos, que vive na impunidade de fugir ao sufrágio com a complacência de uma Justiça lenta e pouco hábil para colarinhos brancos, com laivos de justiceira num mal disfarçado apetite para o exibicionismo, perante a apatia de um povo, profundamente cúmplice com a imoralidade, mergulhado numa amorfa cidadania, raramente capaz de se erguer por causas e valores, com excepções de surtos momentâneos em reacção nervosa e emocional a uma qualquer tragédia.
Pessoas com o perfil de Fernando Nobre, que não devem ter pretensões sebastianistas, carregam consigo a crucial vantagem de fazer envolver num projecto colectivo, de reconciliar Portugal com a sua história – a história real, não a imaginada - de restaurar credibilidade nas Instituições, de ser uma voz confiável.
Compreendo que o leitor acha leviano que o facto de alguém ser confiável seja um argumento importante para uma decisão com esta magnitude! Entendo-o, mas... em tempos de profunda miséria moral, todas as migalhas são banquetes!

18 comentários:

  1. Epá vou ser sincera contigo e não gosto muito de falar a sério sobre politica, quase se me tivessem vindo nos genes algum silenciador obtuso mas desconfio sempre destes alegres anónimos. Mais para anónimo o esquema parece-me bem montado uma vez que até já deu uma entrevista ao primo ( programa da comercial ) que me pareceu um pouco deslocada, espero que dêm a mesma oportunidade aos outros candidatos. Como vez essa independência, não sei, vamos ver e ouvir o que tem para dizer.

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  2. Sobre o texto estamos conversados, tá o de sempre que você não costuma fazer por menos..

    Quanto ao Fernando Nobre, aponto-lhe as qualidades que de todos são (?) conhecidas (humanidade, generosidade, independência e outros epítetos engrandecedores de qualquer pessoa) mas, tal como você, não faço a mínima ideia das suas ideias (passo o pleonasmo).

    O outrossim julgo é estar esta candidatura a aproveitar-se de algo que me parece evidente, o descrédito do sistema político nacional e seus respectivos intervenientes. Por outras palavras, se não há políticos de confiança, nada melhor que um não político.

    Dos candidatos perfilados não sei em quem vote, ainda que saiba em quem não votarei mas para já tenho que dar benefício de dúvida a Fernando Nobre, temendo apenas que a sua candidatura possa não passar de fogo fátuo..

    Parabéns pelo texto h., por vezes faz falta falar sério!

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  3. Anónimo10:03

    Nao vale a pena andar a brincar aos candidatos, porque o caminho que o nosso pais leva, bem vamos precisar do actual presidente da republica, apesar de nao me rever na area politica em que ele navega,mas creio ser ele a pessoa capaz de em caso de tempestade levar este navio chamado Portugal,a bom porto.


    P.S.

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  4. LOu - Ouvi a entrevista! Também gostava que os outros fossem convidados. Mas.. aceitariam?!

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  5. João - agradeço as mais que simpáticas palavras. Apenas uma breve nota: essa estranha teoria da conspiração, só tem mesmo sentido para alguns mentezinhas!
    Abraço

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  6. Anónimo12:41

    Agora confundiu-me, suponho que me respondeu a dois post´s (este e o do flávio dos santos) e não percebi à primeira! :)

    sobre as mentezinhas, entendo o que quer dizer, mas, em todo caso, a resposta a isso só o tempo o dirá...

    pode parecer por vezes que me pronuncio em defesa do psd ou do pc mas creia que indefectivel eu, só mesmo do Sporting...

    Aproveito a oportunidade aqui para deixar um voto público de esperança a quem tanto precisa dela, pelo que envio aqui todo um abraço de muita coragem ao meu querido Martim e ensejos de enorme coragem aos pais e restante família.. Maldita doença que tão comum se está a tornar... Será vencida, estou certo!!

    jh

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  7. João - era ao do Flávio! Eu leio os comments no mail e por vezes confundo tudo!
    Abraço

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  8. Anónimo14:21

    Para quem se diz tão correcto, não acha errado estar a comentar uma candidatura de forma imparcial, quando se sabe que é apoiante, salvo erro, mandatário?

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  9. @anónimo - as coisas que vocês descobrem e que ninguem me conta!!!
    Deixe-me adivinhar: reuni-me com o candidato no meu gabinete de Director do Diário do Alentejo? Ou no meu gabinete da CMBeja? Ou quiçá no gabinete de assessor do Barriga no Hospital?!!

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  10. B.L.16:42

    Sobre politica quase nada sei e o pouco que sei não gosto!
    Quanto ao sr. Fernendo Nobre, espero que venha a ser uma lufada de ar fresco.
    Portanto, só aqui vim desejar um bom fim-de-semana. E espero que já tenha conseguido secar a roupa interior, porque este fim-de-semana vai ser, para variar, de chuva.
    Sim, o que me está a deixar deveras irritada (a chuva), porque vou passar o fim de semana ao Ribatejo, e não posso nem assomar a ventas (para não dizer outra coisa) à rua!
    Beijo

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  11. BL - já desisti de usar!
    Beijo e bom fds!

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  12. Anónimo17:46

    voce é mesmo 1 caixinha de surpresas, já foi o responsável pelo resultado do psd em beja, é responsável pela vitória do polido e agr mandatário do nobre.. curriculum invejável lol

    abençoados anónimos que sempre nos fazem sorrir qualquer coisinha..

    jh

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  13. Acho que vou fazer um link para este seu texto.
    Gostava de o ter escrito!
    Um abraço!

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  14. Obrigado Capitão.
    Um abraço

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  15. Caro H,

    Fernando Nobre ou o Zé do Telhado como PR não faz diferença.

    A única coisa para que serve é para dificultar a vida ao PM.

    Dito isto, o Fernando Nobre representa o que há de mais nobre e escasso em Portugal:

    Pessoas preocupadas com o bem estar de TODOS! e não apenas com a aquilo que a miopía crónica lhes revela.

    Pessoas capazes de ter uma consciência de civismo.

    Pessoas capazes de quererem ser os melhores naquilo que fazem, mesmo que seja varrer o chão.

    Pessoas que sejam capazes de ver a ética como uma força e não uma coisa para se gozar.

    Pessoas que sejam capazes de cumprir os seus deveres antes de exigir mais direitos.

    Etc, etc...

    O problema não está na política. Está no individuo português. Os políticos não são mais do que portugueses que conseguiram estar no sitio certo na hora certa...

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  16. Posso confirmar que o H. não tem qualquer ligação com a Candidatura de Fernando Nobre, embora tenhamos muito gosto em o receber.
    Os mais curiosos poderão dar uma olhadela no Grupo dos apoiantes no Baixo-Alentejo e, possivelmente, até terão algumas surpresas, a começar pelo número dos mesmos...
    http://www.facebook.com/group.php?gid=316409843358

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  17. Subscrevo tudo excepto na diferenciação entre os "lideres politicos" e a "corja anónima"... É tudo o mesmo material pois antes de serem "lideres politicos", salvo rarissimas excepções, eram "corja anónima"...

    Ou alguém sabe dizer de onde vem a tal fortuna que dizem o Sócrates ter?

    São (quase) todos iguais, H. Iguaizinhos os que vivem da politica desde os tempos da Faculdade... e são tantos... Cada vez mais!

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