quinta-feira, abril 01, 2010

A Igreja no mundo da pedofilia

Sou agnóstico! Tenho profunda inveja dos crentes, estou certo que a vida é bem mais simples para quem Acredita, para aqueles que têm o privilégio de saber que a vida é mais do que uma mera existência tantas vezes sem sentido! Talvez por isso, sempre recusei o rótulo de ateu: algures perdido em mim carrego a esperança de um dia conseguir Acreditar!

Não é que tenha algum interesse para os ouvintes, mas enquanto escrevia estas linhas recordei que no pretérito sábado estive num casamento católico; enquanto a cerimónia decorria na pequena capela, passei o tema num banco, de costas para a igreja, com uma deslumbrante vista sobre o mar: e confesso hoje, que sempre me senti mais próximo do céu a olhar o mar do que dentro de uma Igreja.

Mas estar de costas voltadas para a Igreja, não significa achincalha-la ou escamotear a sua imensa importância, quer na história, quer no presente de um País que se diz laico, mas profundamente influenciado pelo cristianismo, quer nas práticas, quer nas mentalidades. E também por isso é que os recentes e recorrentes escândalos de pedofilia no seio da Igreja têm uma importância que transcende os católicos.

Ninguém procure nestas linhas um ataque à Igreja: deixo claro que a pedofilia existe e sempre existiu na sociedade e que todos e cada um dos estudos provam que é no seio da família que a pedofilia existe em maior número, pelo que, colocar em causa a Igreja porque há pedofilia, teria a mesma inteligência que defender a extinção da família porque no seio destas há demasiados casos de pedofilia.

Por outro lado, não quero juntar a minha voz aos histéricos, que a pretexto dos escândalos da pedofilia, esconder o papel fundamental que a Igreja Católica tem na sociedade contemporânea, mormente nas centenas de Instituições que se dedicam ao bem comum e a proteger os mais desprotegidos. Mas defender a Igreja Católica e reconhecer a sua importância também é falar nestas coisas e gritar bem alto que não podem ser esquecidas!

Escrevo estas linhas na semana da Páscoa, num tempo em que a Igreja convida os fiéis a reflectir; mas entendo, que agora mais do que nunca, compete aos fiéis e aos não fiéis, convidar a Igreja Católica a reflectir, a avaliar os seus pecados e encontrar rapidamente o caminho da redenção. Não pela pedofilia em si mesma, que continuará sempre a existir no seio da Igreja, porque os padres são homens e os homens pecadores e nem com a castração química de todos os sacerdotes se podia aniquilar o pecado! Mas tão ou mais grave que matar a inocência das crianças é o manto de silêncio cobarde e cúmplice que varre a Instituição, que foi demasiado surda aos gritos de dor, que se deixou enlear na teia corporativista do proteger os seus, mesmo aqueles que há muito deixaram de merecer protecção.

E não são minhas as palavras de que a verdade os libertará…

13 comentários:

  1. Excelente post!

    Por acaso também já tinha chamado à atenção para o que se está a passar na igreja lá no meu cantinho.

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  2. Como ateu que sou não tenho particular interesse com os problemas de funcionamento das igrejas e neste caso particular da católica, mas mais uma vez acho que a Igreja Católica continua igual a si própria, não enfrentando os seus problemas internos e culpabilizando a sociedade numa suposta campanha contra ela.
    Mas este é e sempre foi o método escolhido, não é novidade.

    Assumir e enfrentar os próprios erros é sinal de maior inteligência. Ignora-los é sinal de fraqueza.

    Assim com considero fraqueza "acreditar" que alguém com maior poder que nós próprios para resolver a nossa vida.

    Mas isso é conversa para outro tipo de post.

    No caso particular da pedofilia, considero a como o mais repugnante acto alguma vez cometido, destruir um ser indefeso e condena lo a uma vida de sofrimento...

    Não apoio a pena de morte pelo facto de considerar quem ninguém deve ter o "poder" de condenar o fim da vida de outro, mas neste tipo de situações não consigo encontrar um castigo mais adequado.

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  3. Anónimo12:28

    "Assim com considero fraqueza "acreditar" que alguém com maior poder que nós próprios para resolver a nossa vida."

    Se fala assim da religião católica, então para além de ateu é ignorante!

    Com todo o respeito!

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  4. Como sempre H estás na linha da frente do pensamento de verdadeira democracia e liberdade. Cabe-nos a nós também como sociedade civil pressioná-los para que tomem sobretudo medidas de prevenção para que tal não aconteça, uma vez que como tu acredito que não se poderá extinguir. Como todos os males da sociedade devem ser prevenidos mais ( mas também) do que condenados.

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  5. Porque se deve falar da pedofilia como um todo e não personifica-la como se fosse exclusiva (ou só fosse mais importante por) de uma religião, profissão, parentesco ou outra coisa qualquer, aqui fica esta noticia:

    http://www.cmjornal.xl.pt/Noticia.aspx?channelid=00000091-0000-0000-0000-000000000091&contentid=D1F5F278-02F1-4694-8D3C-324553C7A685&h=2

    Falamos já outra vez.

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  6. Paulo - fiz questão de sublinhar na crónica, que é no seio da família onde mais acontece!

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  7. Estou chocada, a sério, hâ coisas que são fortes demais para mim. Vou pensar sobre o assunto já volto.

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  8. Anónimo17:21

    A culpa aqui é da Igreja, claro!

    O Padre da paróquia não incutiu valores morais suficientes aquela familia!

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  9. LOU - é daquelas coisas que nos deixa envergonhados por ter pila!

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  10. Claro H, eu li. Só acho que esta discussão é urgente, importantíssima, mas deve ocorrer numa maior amplitude.
    Porque senão corre-se o risco de relegar o assunto principal para segundo plano, e esse assunto são "as crianças", para se passar ao ataque à igreja ou seja lá o que for.
    E senão, leia com atenção os comentários que aqui foram feitos. Ninguém menciona sequer as crianças ou o que se deve fazer para combater e denunciar a pedofilia.
    E o exemplo máximo é o anónimo das 17h21. Esse é dos que acha que ser pai ou mãe é dar uma queca numa noite em que a programação da TV não presta ou em que não há "bola".
    Porque para esses, quando os filhos depois saem uma merda de seres humanos, a culpa é sempre da escola ou da catequese ou do tempo... de tudo menos deles.

    Volto ao assunto inicial. Discuta-se realmente a pedofilia, mas lembrem-se... o que interessa são as crianças. Por isso, H, na minha muito modesta opinião e respeitando a sua, claro, não acho que este seu post adiante muito ao combate ou denuncia da pedofilia. Apenas serve para massacrar a igreja e passar ao lado do resto.

    No entanto respeito muito a sua opinião e a sua posição sobre este assunto, mais a mais, gostando como gosto de ler o que escreve.

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  11. @Paulo - Tem razão em tudo, excepto num pormenor que me parece um "pormaior"!
    Não foi minha intenção falar de pedofilia: até porque não o sei fazer! Não consigo perceber como alguém sente desejo sexual por crianças! A minha intenção, foi comentar a forma como a Igreja está a lidar com o problema, ou melhor, a forma como durante décadas o ignorou!
    Cumprimentos
    (Ps - obrigado!)

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  12. Pronto, depois do choque acho que me sinto capaz de comentar.
    A pedofilia não é um assunto de familia, da igreja, de determinadas classes sociais ou profissioais, é um problema de cada um de nós. Que diz respeito a todos, porque pode acontecer ( e até me custa dizer isto) a qualquer uma das nossas crianças sejam elas filhos, primos ou sobrinhos.
    Quanto à noticia é sem dúvida um caso de completo abandono de valores morais uma vez que a criança já estava sinalizada como utilizadora de meios de comercio de sexo . Não estou a ser moralista estou apenas a lembrar que acriança mais velha também é criança e já se movimentava naqueles meios, para além da total falta de sentimentos com a irmã. Generalizando, a pedofilia é sinal de doença social, sim. Todas as grandes sociedades antigas iniciaram o seu declínio quando a total falta de valores se banalizou. Não punir convenientemente a pedofilia é a meu ver desculpabilizar os seus praticantes.
    Quanto às crianças o mais que se pode fazer é protege-las e protege-se prevenindo e previne-se como?
    Impedimos as crianças de se socializar? não pode ser. No entanto a educação sexual, assim como a educação civica vai ajudá-las a saber distinguir comportamentos aceitáveis e não aceitáveis por parte dos outros. E vou-me calar que isto parece um discurso.

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