quinta-feira, outubro 09, 2008

O triunfal regresso e a apatia...


A semana fica politica fica marcada pelas eleições que, qual D. Sebastião, fizeram regressar do nevoeiro do Porto, José Raul dos Santos para timoneiro dos laranjinhas de Beja. Com indefectíveis Mourão e José Gaspar, Raul dos Santos regressa a um lugar que, mais que provavelmente, nunca abandonou, mesmo quando saiu!
Os resultados da votação são impressionantes; não me refiro obviamente à percentagem de 83%, que é a expressão normal numa candidatura única: verdadeiramente impressionante é o facto de dos 860 eleitores possíveis, mas de 650 terem exercido o seu direito de voto, numa inequívoca demonstração do imenso apoio do PSD-Distrital ao, ainda deputado.
Sobre as intenções de Raul dos Santos, parecem óbvias e não merecem especial análise: pretende regressar à Câmara Municipal de Ourique e está em excelentes condições de reconquistar a Câmara ao esforçado executivo PS. Raul dos Santos é um animal político, conhece o seu eleitorado e obviamente que não cometeria o pecado de se arriscar ao escrutínio dos munícipes nas eleições para a Câmara de Beja ou, tão pouco, ser cabeça de lista para umas eleições legislativas onde o PSD não conseguirá eleger ninguém.
Se escolhi para esta semana reflectir sobre o passeio eleitoral de Raul dos Santos pelas planícies laranjas, criticar o vazio de alternativa - da mesma forma que critiquei o PS quando deliberou temer o debate -, deve-se ao facto de ser consabido as profundas divergências entre o PSD distrital e os mais importantes nomes do PSD–Beja.
Em sussurros, sabemos as motivações: a concelhia de Ourique só por si garante a vitória eleitoral, pelo que é escusado ir a votos. Com o devido respeito, acho que estamos perante uma falácia, uma desculpa fraquinha que pretende escamotear carências próprias.
Desde logo, porque aceitar o jogo democrático, é aceitar ir a votos, mesmo ciente de uma derrota certa: democracia constrói-se a ganhar e perder, não se faz de silêncios que cheiram sempre a cumplicidade. Por outro lado, já é tempo de terminar o queixume, de abraçar a teoria da inevitabilidade e de as pessoas que no PSD-Beja têm credibilidade, como João Paulo Ramoa, Ana Rosa Soeiro e Pires dos Reis encetarem um processo de dinamização da concelhia, porque o PSD-Concelho de Beja tem a obrigação de valer muito mais do que centena e pouco de militantes. Um partido como o PSD, um partido que no panorama nacional acumula as legitimas expectativas de mais do que ser alternância, ser uma verdadeira alternativa, não pode ficar impávido perante a mediocridade, abandonando as expectativas dos baixo-alentejanos que se revêem neste projecto ideológico.
Acreditar na inevitabilidade, deixar de lutar com base no argumento de que as eleições são o produto de um cartel de votos indestrutível, esbracejar e queixar-se sem nada fazer para mudar, é um estranho conformismo num partido que assume uma vocação reformista…

6 comentários:

  1. Carlos Jesuino15:18

    O bom filho a sua casa torna, e esta é a sua casa (Ourique). E nós, Ouriquenses estamos desgovernados, pois eles (Actual Executivo)só se governam a eles.
    Desde que entraram na CMO, fizeram uma campanha de destruição massiva da imagem e da gestão de JRS, inventaram números para o "Monstro", assim foi apelidado pelo Sr. Pedro do Carmo. Primeiro foram 13 milhoes, depois 17, 19 e 22 e depois voltaram para 20 milhões. Nem aí se conseguiram entender... este executivo é uma farsa, não completaram uma obra, não fizeram obra social... não há uma politica de emprego, há que tenha carençias e na CMO não há uma porta que se abra para os mais necessitados. O comercio não existe, a industria é mentira e a agricultura desaparece a olhos vistos.
    Andam desde o inicio com a bandeira da transparencia e do rigor... Ai Deus... ainda descobrem a vossa careca e depois sempre quero ver...

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  2. É muito estranho, tudo muito estranho...ainda bem que na altura não me quiseram nesse partido...mesmo tentando entrar logo por duas vezes...não me quiseram certamente porque sabiam que eu não era apoiante de um certo senhor...é estranho, tudo muito estranho...agora, de novo Ourique?? Poupem-me, por favor! E poupem principalmente as gentes honestas dessa bela terra alentejana! Deixem-nos fora das politiquices!

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  3. Não sou ateu nem anarca,pois tenho os meus ideais bem defenidos. para quem lê esta prosa desinspirada do nosso escriba "retornado" pode ficar no minimo confuso, mas para quem está atento à politica nacional, certamente estará em condições de afirmar que o PSD beja, não é um filho bastardo, mas sim um filho legitimo da PSD nacional, com todas as suas danças de cadeiras, facadas nas costas, beijos de Judas, falta de qualidade humana, etc....
    Ps: aproveitando a conjuntura económico/financeira mundial, será que o capitalismo aínda é o sistema ideal?

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  4. ito - repito uma frase que deixei escrita aqui há meses e agora tenho ouvido repetir: o capitalismo é um péssimo sistema, mas o melhor de todos os outros. Pelo que pergunto: qual acha melhor?

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  5. Anónimo12:30

    Excelente comentário. E acertou no ponto: é preciso mais do psd aqui em Beja

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  6. H, em resposta à sua questão, não sei dizer qual o melhor sistema, mas sempre lhe posso recordar que hà alguns anos atrás era OBRIGATÓRIO PRIVATIZAR, e neste momento... é NECESSÁRIO NACIONALIZAR...

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