terça-feira, julho 03, 2007

o NÂO do gajo alí em baixo...

Desde 98 que sou docente do Ensino Superior: ontem, pela primeira vez em quase uma década, deitei-me com dúvidas! Quando a manhã me acordou, já estava mais conformado, mas assumo que foi uma noite fodida! Digo, difícil!
A razão não será grande mistério: o MCTES recusou a proposta da Estig para abertura do curso de Solicitadoria!
Para perceber, será necessário uma nota cronológica: o curso foi pedido em Novembro do ano passado, com a junção de quase uma centena de páginas, com dezenas de informações desnecessárias, mas exigidas pelo Ministério! Por duas vezes, curiosamente ambas em vésperas de "pontes", foi necessário enviar documentos urgentes antes do fds. E, apenas OITO MESES depois o Ministério decidiu! Pelo caminho, dezenas de jovens e menos jovens, concorreram ao curso, fizeram uma prova específica e uma entrevista!
A justificação parece ser que o corpo docente é insuficiente para todo o curso! Digo parece ser, porque há muito que me parece que o actual Ministro não gosta de Ensino Superior, tem preconceitos contra as privadas e não suporta politécnicos!
Mas... analisemos os factos e deixemos de lado as conjecturas!
Numa época em que a política geral do Ensino Superior parece ser responsabilizar as Instituições, não percebo a legitimidade do MCTES para castrar a autonomia das mesmas! Depois, a justificação que um curso para ser aprovado tem que ab initio ter corpo docente para os 3 anos é um perfeito e completo absurdo: uma insanidade de mentes burocráticas, incapazes de perceber o que se passa no terreno!
Eu deixo a pergunta: imaginemos um curso de Medicina que irá abrir numa nova Instituição: tem lógica estar a contratar docentes para leccionar três, quatro ou cinco anos depois? E o que devem fazer as Instituições? Pagar todos esses anos salários sem que os mesmos estejam a trabalhar? Ou, pelo contrário, os docentes ficam em casa presos a um vínculo para anos depois?

Numa época em que tanto se fala da qualificação, onde tanta gente e com razão reclama que há demasiados cursos que não servem para nada, é um absurdo recusar cursos que o mercado reclama e que os estudantes desejam.
Sim, isto é Portugal, capital da Europa nos próximos meses...

6 comentários:

  1. Anónimo13:53

    com tanta preocupaçao sobre a abertura ou nao do curso, acho que vc deveria estar á espera de algum tacho...

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  2. Anónimo14:54

    h, estás à espera de tachos? E o trem de cozinha que te ofereci no Natal juntamente com o serviço de copos? Cadê?

    M

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  3. @nónimo da 1.53 - você é um tipo perspicaz! Como é consabido a nossa Administração Pública Central E local está cheia de tachos para tipos que cumulativamente têm posição crítica do Governo e da Câmara Municipal...

    PS - Vou procurar a foto do tipo de tacho que gosto!

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  4. Anónimo15:32

    Realmente é assim q o Governo quer fazer de Portugal, 1 país de gente instruída, bem formada e bem-educada!
    Não faço ideia quais terão sido as razões do Dr. Mariano Gago em rejeitar este projecto p/ o Inst. Politécnico,mas acho q só prejudica a região e as pessoas q queriam enveredar por esse curso, q me parece ser de uma mais valia p/os alentejanos, e não só!Até pq é 1 curso q nem está presente em mtas cidades do país!
    E tb não andam a dizer q a Universidade Moderna vai fechar?!!
    Era uma hipotética 'saída' para os alunos de Direito...Digo eu!

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  5. Anónimo01:00

    Pelo menos em Portimão vai abrir solicitadoria.....
    LR

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  6. LR - onde abriu?

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Respeite as opiniões contrárias! Se todos tivéssemos o mesmo gosto, andávamos todos atrás da sua namorada! Ou numa noite de copos, a perseguir a sua mulher!