terça-feira, dezembro 30, 2008

Retrospectiva do ano que finda…

O ano de 2008 poderá ser comparado a uma mulher com hemorróidas, o chamado annus horribilis! Procurando recordar o ano que ora se enterra (com excepção do nascimento do meu pequeno Daniel) não recordo um acontecimento positivo. O petróleo andou a jogar ténis com a Euribor, tendo ambos atingido valores obscenos, desnudando as inúmeras falhas de um mercado que se acha um casino; os financeiros e a irresponsabilidade subjectiva fizeram o mundo mergulhar numa crise cujos contornos ainda estão indefinidos. No Iraque e na Faixa de Gaza a merda de sempre e como os meus leitores bem sabem não sou Obamamaniaco, pelo que não fecho o ano a acreditar em milagres.
Pelo país (e não é erro ortográfico usar “o” pikeno) foi o ano da choradeira dos professores, o ano que o Serviço Nacional de Saúde parou com medo de mudar, o ano da não alternativa no PSD (a guerrilha no PSD faz-me lembrar as guerras Benfica-Sporting sobre quem ficava em segundo), foi o ano em que a palavra “nacionalização” regressou do pesadelo do PREC, o ano da decepção olímpica e futebolística, o ano em que o Benfica voltou a ver os outros passarem, o ano que se discutiu Ota ou Alcochete sem cuidar de pensar se Portugal precisa mesmo de outro mega aeroporto, mais um ano onde nos deleitamos a discutir o acessório por imperícia de tratar do principal.

Cá pelo burgo, um ano parado, paradinho. Se na penumbra os partidos fizeram o seu jogo, se prepararam o trilho para a guerra do poder, pouco ou nada de significativo aconteceu na cidade: continuo a desfalecer placidamente, contemplativa, sem ideias, sem projectos, sem empreendorismo, sem iniciativas relevantes: mesmo a Ovibeja, viveu a sua última semana, para se reduzir a pouco mais de um fim-de-semana. O aeroporto continua sem rumo, o Alqueva lá está sem se perceber qual a sua primordial valência, o IP8 é bonito no papel, as fábricas chinesas continuam na China, o Centro Comercial é ainda apenas um projecto, a ligação da cidade ao rio uma miragem, entre muitas outras coisas que fazem de Beja uma cidade de sonhos e sonhadores!
Pessoalmente, escrevi algures neste blogue um desejo para 2008! Falhei! Redondamente! E mais não digo! Quiçá 2009 seja um ano melhor! Mas… sou assumidamente pessimista e misantropo, pelo que temo que ainda vamos sentir saudades de 2008!

9 comentários:

  1. Pesadelo do PREC? - certamente que para alguns o foi, mas estou certo de que para muitos mais foi a festa da liberdade e de sentir que se pode ser actor na construção de um mundo melhor.
    Fico sempre triste com visão (de jovens) "catastrofista" de uma MUDANÇA profunda, que se "desenhou" naquela altura, na sociedade tão desigual e triste que temos...
    É pena que tanto se fale em "mudança", quando o que se oretende é "manter" tudo, mais ou menios na mesma...
    É a UTOPIA que contia a iluminar-me.

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  2. Peço desculpa pelos erros...bati nas teclas ao lado...

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  3. piruças16:21

    Eu também temo que o 2009 seja um ano negro, de vacas anoreticas...

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  4. @LG - Defender o que se começou em 25/04 e ganhou forma com o 25/11, não é esquecer que se muitas coisas foram positivas, algumas foram muito negativas!

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  5. É mais expectável que ocorram erros e excessos num processo revolucionário do que numa democracia. Apesar disso não me parece que o PREC tenha prejudicado a esmagadora maioria do povo português.
    Não pretendo com isto dizer que não houve coisas negativas naquele período mas julgo que mereciam mais realce as positivas. Não haverá muitos períodos da nossa História em que o o Povo tenha tido tanto protagonismo e sentido que a sua intervenção contava para a construção de um país novo.

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  6. Como sempre, concordo com algumas afirmações tuas, com outras, nem por isso!

    Pessoalmente já me deixei disso, de fazer um balanço do ano. É que, tinha "pedido" sempre que o ano que vinha aí seja melhor que o antigo. Ora bem, isso nunca aconteceu! Logo, se deixar de pedir, pode melhorer, seguindo a lógica!

    E este ano, como foi? Olha, o "grito" lá em cima diz tudo...

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  7. Meu caro H.
    Não acho justo pedir a este povo que nunca leu um livro, qualquer atitude que tenha maior reflexo que a fivela do ceu cinto. Sinto muito!

    Não é justo que peça a quem só leu um livro, mais do que esse livro ensina. E se esse livro tem bolor bolorosas hão-de ser as atitudes.

    Para os pobres desgraçados que ouviram, viram e até leram e não perceberam, os meus pêsames.
    Para aqueles que acharam que produzir um produto de qualidade era a razão do sucesso, aconselho lerem também markting, pois produzir já foi. Vender é que é!

    Para competir com sucesso é necessário qualidade, arrojo e sintonia de esforços, características que no Portugal actual não estão previlegiadas. Continuamos a ser um povo do desenrasca.

    Bom ano de 2009!

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  8. Obrigado, Capitão!

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  9. Um abraço, Zig.
    PS - O Hotel tinha bastantes pessoas...

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