segunda-feira, março 03, 2008

Partido "Socialista"

Por estes dias as concelhias do Partido Socialista vão a votos. Se, no que se conhece das listas, podemos encontrar um denominador comum, sobressai a existência de listas únicas, a exteriorização de falsos consensos, a deliberada decisão em evitar o debate interno. No caso de Beja, depois de há cerca de um mês três listas concorrentes se perfilharem para uma ida a votos, misteriosas e desconhecidas razões fizeram emergir uma lista de consenso.Infelizmente, há pouca memória na política portuguesa; esquece o PS que a maioria absoluta de Sócrates foi precedida de uma complexa luta interna e que o melhor primeiro-ministro do século XX, decidiu abandonar o cargo, depois de a ausência de debate interno ter minado o seu partido (com consequências ainda hoje bem visíveis), fazendo implodir a possibilidade de nova maioria absoluta.
Os partidos políticos vivem uma crise profunda, com perigos reais para a própria democracia: cada vez mais assistimos a uma “carneirização” das estruturas partidárias, um bando de muitos homens e raras mulheres, que interiorizaram a máxima que lhes permite a ascensão nos Partidos e a ambicionar com o desejado lugar de nomeação nas esferas de influência: não ter opinião própria e acatar todas as decisões que provêem de um correligionário hierarquicamente superior.
Não deixa de ser inquietante que, num momento em que, bem ou mal, o Governo é severamente criticado na saúde e na educação, a justiça arrasta-se em patamares de misérias, crescem duvidas sobre as políticas de obras públicas, quando cada vez mais se somam as vozes criticas ao Governo (mesmo sem se vislumbrar no horizonte uma alternativa com a menor credibilidade), o Partido Socialista assuma uma posição autista de completa relutância em debater. E é com perplexidade que ouvimos o ainda líder da Concelhia do PS afirmar que está convicto que fez um bom trabalho, mas que sai triste e desiludido, semanas depois de afirmar que era candidato. É caso para perguntar, se alguém quis calar Paulo Arsénio… E não lancem ao vento o argumento de que seria prejudicial e contraproducente a um ano das eleições permitir uma discussão pública: o PS-Beja pode ter esquecido, mas a cidade não esquece nem perdoa o resultado que deu o secretismo das últimas listas autárquicas…
A pouco mais de um ano das eleições autárquicas, a Concelhia de Beja do PS, plagiando uma orientação geral, teve medo de discutir ideias e projectos, fechou-se sobre si mesma num acordo secreto entre os candidatos existentes, deixando cair por terra uma grande oportunidade para decidir a região e a cidade, mostrar aos munícipes que o muro de Berlim bejense não é intransponível.

4 comentários:

  1. Uiiiii!!!!

    Onde já que já vi e ouvi uma "enorme" questão, devido ao facto de simbolos politicos estarem ao contrário?

    Este post vai concerteza animar a semana....

    Vou passar de hora a hora!

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  2. Anónimo12:10

    Caro Hugo, muitos vezes (quase sempre) discordo das suas posições políticas! Mas respeito a sua independência! Não gosto de comentar em blogues, mas abro excepção para lhe dar os parabéns por esta lúcida análise!

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  3. Anónimo16:25

    O Meu Amigo parece saber mais do que diz: vai responder à pergunta que faz, sobre quem mandou calar o PAulo?

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  4. "Os partidos políticos vivem uma crise profunda, com perigos reais para a própria democracia"? Não creio, meu caro! O que está em crise é o país todo, e não só os partidos. E enquanto alguns políticos não olham para além do seu próprio umbigo, nada vai mudar.

    Penso que a hora seja dos independentes, mas infelizmente eles necessitam sempre de algum partido político para apoiar. Assim é muito difícil que este país vá para a frente, já que, qualquer partido tem toda a "maquinaria" atrás deles no que toca a manipulação dos votantes, e os independentes, não!

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Respeite as opiniões contrárias! Se todos tivéssemos o mesmo gosto, andávamos todos atrás da sua namorada! Ou numa noite de copos, a perseguir a sua mulher!