quarta-feira, junho 16, 2010

A Vuvuzela e a Portugalidade

O mais distraído dos leitores poderá supor que pretendo com este meloso texto alerta-lo para o perigo de soprar numa vuvuzela emprestada! Mas não: esta dissertação é bem mais profunda, é um texto praticamente sociológico sobre o paradigma da vuvuzela e a portugalidade! Porque as vuvuzelas dizem muito do que é ser português!
Começo por um preliminar, em jeito de esclarecimento: excepto na televisão, nunca tive o prazer de ouvir uma vuvugaita a chiar: admito que talvez seja essa a razão pelo que sou daqueles que defende o instrumento. Ainda que para algumas mentes perversas, encontrem maldade nestas minhas palavras!
Talvez pelo que supra afirmei, tenho assistido com espanto e encanto a esta fúria lusitana contra as vuvus! São os protestos nas conversas de café, as doze mil comunidades no Facebook contra as gaitas, são manifestações a proibir o uso de vuvuzelas e o sexo anal, horas e horas de telelixo a falar sobre uma porcaria de uma gaita!
Mas o tuga é um bicho peculiar: hoje para chatear o meu irmão tive a deslumbrante ideia de ir comprar vuvuzelas para os meus dois sobrinhos (para a sobrinha não, que não quero que ela se habitue a andar a soprar objectos de aspecto fálico!), quando se não quando, constatei que as vuvuzelas estão sistematicamente esgotadas, com direito a lista de espera, sendo necessário a muito nacional cunha para conseguir comprar a porcaria da gaita!
Porque as vuvuzelas dizem tudo da portugalidade: passamos o tempo a critica-las, mas depois vamos a correr feitos otários para a Galp - da qual dizemos ainda pior do que das gaitas - para comprar a magotes aquela treta, para andarmos feitos tontos a zurrar pelas ruas em concertos e manifestações, preferencialmente a ouvir Tony Carreira, com uma mini na mão e a outra a coçar os tin tins!

8 comentários:

  1. Espero que esta "moda" acabe depressa!!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Hehe
    Excelente H.
    Tive que linkar lá na rua.
    Abraço

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  4. Um paradoxo da “portugalidade”!
    Se por um lado temos a certeza absoluta de que a vuvuzela é dispensável, por outro não morremos enquanto não a abocanharmos....

    Viva a vuvuzela e a quem “apita” nela!

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  5. Só vai a correr à Galp quem não se aguenta...
    Eu até já desconfiava que a culpa fosse dos familiares e amigos, que compram tudo o que podem (ou se lembram) às crianças, mesmo que não sirva para nada.
    Os concertos do Tony... um dia ainda vou ver um ou dois :)

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  6. A portugalidade é, para mim, o facto de se uma pessoa tem, a outra também tem que ter! Eu sou contra a vuvuzela. Tá uma pessoa em época de exames e ouve-se na rua a cada 5 segundos o barulho da p*** da vuvuzela. Eu não sei como é que não se cansam, mesmo não soprando muito, aquela treta dá tonturas! Eu já estava agoniado com aquele zumbido de enchames de abelhas no mundial, até que a meo inventou uma funcionalidade para não se ouvir vuvuzelas! God bless a PT! Nem sei porque mal não conseguiram comprar a TVI. Salvavam o mundo português!
    Vuvuzelas? Mais uma técnica de marketing bem sucedida!

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  7. Anónimo20:53

    Desculpa Hugo...mas há uma nota de reprovação que tenho de deixar: Odiei a concepção machista e discriminatório no uso da vuvuzela...é porque a dita quando nasceu....- não tenho a menor dúvida - foi para todos (as)!!!!!

    maria celina nobre

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  8. Celina - depois dos disparates que escrevi sobre a VUVU, quis excluir a minha sobrinha!!!

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Respeite as opiniões contrárias! Se todos tivéssemos o mesmo gosto, andávamos todos atrás da sua namorada! Ou numa noite de copos, a perseguir a sua mulher!