No sentido e com pelas razões que aqui expliquei, abandonada a soturna semana do Carnaval, regresso a esta viagem sobre a cidade onde nasci e teimosamente insisto em morar. Trago à colação nesta manhã cinzenta - adequada para estas linhas - a estranha ambiguidade com que Beja recebe quem nos visita.
Importa nunca esquecer - apesar de Lisboa o esquecer permanentemente - que Beja ainda é Portugal, que o bom baixo alentejano não deixa de ser Tuga e, como tal, vive feliz no preconceito que tudo o que vem de fora é melhor do que está cá!
Pelas ruas de Beja também caminha a medíocre condição de pensar que tudo e todos o que vem de fora carrega consigo a excelência que nos falta; juntando isto à pequenez demográfica, resulta o nosso fascínio por aqueles que nos vêm visitar ou transitoriamente fazem desta a cidade deles. Mas um fascínio desconfiado. Um fascínio envolto em alguma mesquinhez da inveja, que nos leva a comportamentos frios e distantes, na ambiguidade que deu mote a esta razão para amar a cidade.
No espírito de quem de fora chega a Beja, misturam-se esses sentimentos provocando uma espécie de confusão mental, a inquietude de não saber se são amados ou odiados, sinais contraditórios que ajudam a entrar no charme único da nossa terra. Discordam, caros leitores que vivem em Beja sendo oriundos de outras terras?
Importa nunca esquecer - apesar de Lisboa o esquecer permanentemente - que Beja ainda é Portugal, que o bom baixo alentejano não deixa de ser Tuga e, como tal, vive feliz no preconceito que tudo o que vem de fora é melhor do que está cá!
Pelas ruas de Beja também caminha a medíocre condição de pensar que tudo e todos o que vem de fora carrega consigo a excelência que nos falta; juntando isto à pequenez demográfica, resulta o nosso fascínio por aqueles que nos vêm visitar ou transitoriamente fazem desta a cidade deles. Mas um fascínio desconfiado. Um fascínio envolto em alguma mesquinhez da inveja, que nos leva a comportamentos frios e distantes, na ambiguidade que deu mote a esta razão para amar a cidade.
No espírito de quem de fora chega a Beja, misturam-se esses sentimentos provocando uma espécie de confusão mental, a inquietude de não saber se são amados ou odiados, sinais contraditórios que ajudam a entrar no charme único da nossa terra. Discordam, caros leitores que vivem em Beja sendo oriundos de outras terras?
Podia escrever um ensaio sobre este assunto, mas não tenho tempo. :)
ResponderEliminarVivi em Beja 9 anos e fiz 4 amigos verdadeiros. Não sou exemplo para nada, tenho péssimo feitio, mas a desconfiança de que falas... entendo completamente. O fascínio nem tanto! A confusão: completamente!
Magnifico o texto; eu também vim de fora e sinto tanto isso! Comoveu-me saber que não sou o único!
ResponderEliminarMuito obrigado!
Tão??O Blog "zaparceu" outra vez...
ResponderEliminareu também sou de fora, vivo agora cá porque estou a estudar e confesso que as pessoas às vezes olham nos como se nós fossemos uns estranhos.
ResponderEliminarAcho que o que se aparece aqui de novo é fora do normal e conforme se passa na rua sentimos como se fossemos observadas e até aquelas pessoas com que lidamos (como no supermercado ou na escola) ficam a desconfiar de coisas que não têm pés nem cabeça.
Gosto de viver cá, pois até é um local tranquilo, mas quanto às pessoas são muito desconfiadas e muito observadoras, para além de cuscuvilheiras, aparentando ser o que não são.
Como estrangeira que sou, confesso que para o bem ou para o mal, a minha vida tem sido afectada pelo que respiro nesta cidade.
ResponderEliminarSão muitos os atributos que me ocorrem enquanto escrevo estas linhas... mas...
Na sua simplicidade sinto saudades na agitação anseio-a...
Obrigada Beja.
VC
Discordo cordialmente! Beja acolheu-me muito bem e calorosamente, nunca tive problemas. E mais! As minhas opiniões e críticas foram e são sempre respeitadas, e porque? Porque também respeito a cidade :)
ResponderEliminarO único senão - sou portista, hehehe
Eu sou de cá...pois é, mas não concordo com o texto.
ResponderEliminarNão ligo que me olhem da cabeça aos pés..porque nunca farão minha cabeça e nunca chegarão aos meus pés.
Preocupo-me mais com a minha consciência do que com a minha reputação. Porque a minha consciência é o que eu sou,e a minha reputação é o que os outros pensam de mim. E o que os outros pensam de mim, é problema deles.
Tal e qual! Já senti muitas vezes exactamente o que as suas palavras mencionam no post.
ResponderEliminarSeremos mesmo para sempre enteados ...