sábado, janeiro 24, 2009

Ode às boas gentes de boliqueime!

Por razões genéticas tenho sido espectador atento do campeonato de benjamims em hóquei em patins. No cardápio desta tarde um Desportivo de BejaClube de Patinagem de Beja-Boliqueime.
Confesso que conheço Boliqueime por ser a terrinha do nosso Presidente e se passei duas vezes por Boliqueime foi porque "de ambas as duas" me perdi, algo absolutamente normal neste que vos escreve!
E gostei imenso do que vi! Desde logo, algumas dezenas de pessoas vieram do Algarve acompanhar os seus petizes. Algumas no autocarro da Câmara - cedi a tentação e não teci nenhuma piada sobre para o que a nossa empresta o seu - e muitas outras em carros particulares: depois, na equipa, misturavam-se rapazes com duas ou três raparigas (honestamente fiquei na dúvida, embora tal não seja importante porque os anjinhos não têm sexo), mostrando aquilo que verdadeiramente importa no desporto infantil: deixar que os miudos se divirtam, que pratiquem exercício físico, que incrementem os mecanismos de companheirismo, permitindo um crescimento saudável. Havia na sequência um outro jogo, de muidos ainda mais novinhos, em que o peso feminimo na equipa era ainda maior. Porque nestas coisas o resultado é o menos importante, estou certo qye ganhou Boliqueime e as pessoas que conseguiram erguer este jovem clube de hóquei.

PS - Constataram que resisti neste post ao chauvinismo de referir que o meu sobrinho marcou hoje o seu primeiro golo na sua curta carreira desportiva? Que escrevi este post sem mencionar que gostou tanto de marcar o primeiro que fez ainda mais dois?

Porque algumas perguntas podem ser confrangedoras...

Hoje na piscina perguntaram-me se era o "tipo do viagra"! Ponderei bem, olhei para o balneário cheio de homens desnudos e optei dizer que era o "tipo do prozac"! Pareceu-me mais seguro...

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Para as meninas que dizem que no rabinho dói...



... experimentem ter de ver mais de duzentos casos práticos e ainda ter de avaliar o Moodle. Que semana....

Estranho post ou porque o blogue terá de servir para alguma coisa...

... nem que seja para poupar o dinheiro de uma chamada telefónica. Meu prezado e azul amigo: arranja-se uma mesa com vista panorâmica para o glorioso e um repasto especial para as 20h15? Hoje estou "vermelhamente" optimista...

Qimonda fornicou-se..

Esta não é mais uma falência de 2009. Esta é a falência de 2009!

100 razões para amar Beja - 16 (com excelente adenda)

Mesmo para mim foi estranho pensar nesta razão. Até porque presumo que há mais de uma década que não penetre naqueles portões. E escolho não o fazer! Prefiro fazer este post agarrado às minhas memórias, prefiro deixar vaguear na imaginação a recordação e a saudade, recordar-me dele como o conheci na minha primeira infância.
Recordo o lago - eternamente sujo - onde os coitados dos patos eram alvos de traquinas como eu, que sob o altruísta pretexto de saciar a fome dos bichos, treinávamos tiro; mais ao longe, do lado esquerdo, as gaiolas habitadas por estranhos e pouco amistosos pássaros. E de passear na carroça, como me divertia naqueles curtos passeios em que o cavalo anão nos fazia meninos grandes (nestes quatro dias, pensei mil vezes, mas varreu-se-me da parva memória o nome do bicho).
Anos depois, regressava para jogar no ringue: muito futebol, algum hóquei e basquetebol, onde apesar de ser espigado, nunca tive qualquer talento. E os primeiros beijos, naqueles deliciosos e recônditos cantos onde os namorados se entregavam sofregamente ao prazer juvenil das hormonas!
Dizem-me que está diferente e para pior. Estranham que se chame jardim público mas esteja fechado depois do horário laboral! Podíamos queixar-nos de faltar uma infra-estrutura que permita usufruir melhor do espaço. Mas hoje não quero saber de queixumes: quero recordar e homenagear o jardim público da minha infância, onde vivi muitas razões para achar Beja deslumbrante e inesquecível. Aliás... até tenho saudades das tremendas secas que ali todos vivemos, quando as noivas escolhiam aquelas árvores para pirosas e intermináveis sessões fotográficas...

Adenda do leitor M&M: No jardim a Primavera não se faz anunciar. Surge orvalhada numa manhã qualquer sem se importar com o calendário.Sem ter em conta as manchas de cores, o brilho da terra orvalhada, o sol aquecendo as pétalas dos miosótis, as aves riscando as manhãs limpas e claras de março. O cheiro da relva aparada, os homens mondando os canteiros, podando as roseiras, manhã cedo,aindamal a claridade definia os vultos que atravessavam o jardim em direcção ao mercado. O Ti Augusto, guarda do jardim, com a bondade no rosto e os olhos aguados de azul;os barcos a remos no lago grande; os pedaços de pão para os patos que, sorrateiros, trazíamos de casa e trocávamos por umas voltas á medida de quem nunca tinha visto o mar...

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Eu sei que sou trombudo...

... mas esta indignação não é mau feitio!
O meu leitor acha que quando o cavaleiro está em pleno campo pequeno, bancadas cheias de gente de gosto duvidoso, com as farpas na mão, pronto para as espetar no lombo do boi, acham que o toureiro se vira para o bicho e diz: "descontraí que não vai doer nada?"
Está visto que não.
E, se o toureiro não o faz, porque estranha os dentistas insistem em fazê-lo?

Chamem-me o que quiserem...

Em plena crise literária, num momento de profundo desespero, voltei a tentar ler Saramago e o seu novo "elefante". Chamem-me todos os nomes, mas não gosto, não suporto, não tenho paciência para a arrogância de não usar pontos final e as letras minúsculas, mais as virgulas e o raio de uma história absurda. Digam o que disserem, mas com excepção do Levantado do Chão - que é brilhante - Saramago escreveu coisas razoáveis, outras medianas e muitas intragáveis!

Acho que sim...

... Quique fez bem em devolver a baliza ao seu dono. Pelo que fez nos últimos anos, merece!

O vereador Miguel Ramalho pergunta... (Com Adenda)

"O Governo Civil serve para alguma coisa?"

Adenda: Ia dar a minha opinião sobre o tema. Mas alguém já o fez com mais brilhantismo que eu o conseguia fazer!
Fora de Contexto: Pode ouvir aqui o último Conselho de Opinião, onde se serviram autárquica à mesa.. E esta pergunta!

100 razões para amar Beja - 15

Escreveram-se milhares de linhas sobre o Polis de Beja. Eu próprio escrevi palavras críticas sobre a esmagadora maioria das intervenções. Mas há uma obra que merece o projecto. Refiro-me obviamente ao Parque da Cidade! Claro que não é perfeito, é óbvio que se tivermos prazer na contradição podemos apontar a deficiente inter-acção com a mata, que o lago podia ser mais fundo ou mais raso, mais curto ou comprido! Mas a honestidade intelectual obriga a reconhecer que o resultado é absolutamente extraordinário.
Bem enquadrado, com boas condições de estacionamento, servido por um restaurante e um café (sobre os quais expressei diferentes e contraditórias opiniões) é um espaço impar para o convívio familiar, com excelentes condições para os petizes (há tempos brincava, dizendo que o Parque da Cidade é a principal razão pela qual os bejenses fazem filhos) ou, para o prazer da leitura!
Encanta-me especialmente o fim de tarde, quando podemos ver no horizonte o sol a deitar-se, enchendo a cidade de uma cor única e irrepetível, de um abrasivo laranja que nos faz sorrir a alma. Acho graça aos barulhos que ao longe se perdem em silêncios, zumbidos de vida, patos doidos que nos tentam atacar, um passeio de "gaivota" em plena planície interior, gotas de mar em terra seca! Fiz pausa na escrita para deixar sair um timido sorriso. Apetece-me apagar as ultimas linhas, porquanto, ver o parque à noite, quando a cascata canta ao vento, com o céu estrelado em noites de lua plena, é uma visão inesquecível!

Apaixona-te por Beja!


Basta olhar para as gordas da imprensa regional, ouvir as rádios locais ou escutar as conversas de alguns cafés e restaurantes, para compreender que já desceu à rua a luta autárquica de 2009. Lançados aos lobos da opinião publica e publicada os candidatos laranja e rosa, a questão vermelha não sendo do conhecimento público, não irá surpreender os mais atentos! O que significa que abriu a época de caça ao voto e vamos ser presenteados com propostas maravilhosas, projectos lindos e audaciosos, condenados a ficar no papel, gastando eucaliptos!
Irrita-me a predisposição lusitana para grandes projectos! Bem sei que está no ADN deste estranho povo a vocação das grandes obras, dos mega empreendimentos; que foi a ousadia de sonhar mais alto que fez de Lisboa o centro do mundo. Mas de um mundo que já não volta, de um tempo que embora épico é irrepetível!
Como é consabido não partilho da opinião quase unânime que ao Estado – central e regional – devemos exigir tudo e responsabilizar por qualquer coisa! Talvez ingenuamente, sou acérrimo defensor de uma democracia do cidadão, onde este tenha a coragem de assumir uma posição activa!
Quer os candidatos conhecidos quer os que ainda não se perfilaram abertamente, por mais bonitos e eloquentes que sejam os seus projectos, não terão a capacidade para mudar a cidade sozinhos! Se alguém dos candidatos tivesse a insanidade de questionar a minha opinião, responderia sem pejo nem dúvidas que a primeira missão do próximo Presidente será motivar os bejenses para se apaixonarem pela sua cidade!
Todos nós conhecemos as deficiências da nossa cidade, reconhecemos os erros recentes, percebemos a falta de visão e ambição, a impotência para pensar a cidade para uma década; mas o percurso não pode continuar a ser feito com críticas pessimistas! Se queremos um ciclo novo, urge enaltecer o que a cidade tem de mais belo e apaixonante, rastrear as potencialidades que a cidade nos oferece, enamorarmo-nos daquilo que temos sem abdicar de sonhar com o que podemos conquistar! Claro que a Câmara Municipal tem de ser a âncora do desenvolvimento, ter a lucidez de apontar destinos, a competência de se fazer notar pelas soluções e não pelos problemas que coloca! Mas antes de apontarmos a responsabilidade aos outros, importa que cada um de nós reflicta e perceba o que pode fazer pelos outros, como podemos ajudar a nossa cidade a deixar este marasmo contemplativo!
Apesar de todos os queixumes, não abdico do imenso prazer de amar a minha cidade! E convido aquele que me ouve nesta gélida manhã a deixar de ver e começar a olhar a nossa cidade, deixar-se perder nos pequenos detalhes, nas singularidades que fazem de Beja uma cidade especial. Sim, apaixone-se pela sua cidade, porque se cultivar essa paixão poderá ter o privilégio de encontrar o puro e recíproco amor!

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Desculpem incomodar...

... mas os meus leitores acham que se Portugal fosse um País mais religioso, os fumadores mandavam tantas beatas para o chão?

Crime em Almodovar...

Terá acontecido nestes tempos mais próximos uma tentativa de homicídio na Câmara Municipal de Almodôvar, com a tentativa de um eleito agredir um outro eleito municipal. Pode ler aqui!

100 razões para amar Beja - 14

Partilho com os meus amigos leitores - bem como com os muitos outros - uma história que tem alguns anos, talvez catorze, por alturas de uma defunta feira chamada FeiraAlimentar, organizada pelo Nerbe. Num saudoso sábado de tarde, um daqueles dia de Outono com mania que é Inverno, estava eu entretido a fazer de salsicheiro, quando recebo uma inesquecível visita. Quatro lisboetas, numa época em que os telemóveis ainda não habitavam os nossos bolsos, surgem na planície, - sem saber a minha morada - para conhecer a nossa cidade, imbuídas daquele espirito com que na capital olham a provincia. Jantámos numa tasquinha: petiscos e vinho novo. Gargalhadas e depois um silêncio. Passaram anos mas recordo como se fosse ontem. O silêncio!
Porque junto da mesa, caminhando num passo muito nosso, um grupo de homens, experimentados pela vida, de rostos fortes, enrugados do esforço da labuta dura, todos como se fossem apenas um, presentearam-nos com o cante alentejano!
Alguém mais dotado que eu consegue por na prosa o encanto daquelas vozes? Como explicar a quem nunca ouviu, como se faz melodia sem intrumentos, poesia sem poema, o sentimento único de aquelas vozes que caminham num só compasso, num mesmo ritmo e única direcção!
Dizem-me que o cante das nossas gentes é tão património como edifícios de paredes e pedras, castelos e igrejas. Confesso a minha discordância: sempre achei o cante alentejano mais património do que aquilo que os outros chamam património...

terça-feira, janeiro 20, 2009

Agora compreendo...

... porque no meu JPS diz "Fumar Mata". Cada vez que abro a janela para matar o mais estúpido dos vícios e me deixo congelar com este frio, percebo que fumar causa hipotermia!
A tempo: acham que neva hoje?

Deixemo-nos de merdas...

... isto é apenas mais uma notícia igual a muitas outras, entre as muitas que ninguém quer falar. Há no Baixo Alentejo "uma questão cigana". E xenofobia é a hipocrisia de ficar calado!

Política, política e mais política...

Vendo a imprensa aqui do burgo, já se respira o frenético ano de 2009. Na Pax destaque para Pulido Valente que vai apresentar na CMB proposta para minimizar o flagelo social! Referência ainda para a exportação para Ferreira do Alentejo de Francisco Caixinha (o que me chamaram quando escrevi que a CMB está em "reformulação"); por fim faz-se ainda referência há volta à planicie em carros da câmara!
Na Voz do Munícipio alude-se à guerra das laranjas em Almodovar, da reunião da Dorbe e da misteriosa história do porquicido! (este tema dava piadas óptimas, mas impróprias para ano eleitoral!)

I have a dream

Finalmente - inacreditável demorar tanto tempo - a tomada de posse daquele a quem já chamam o Pedro Passos Coelho das Américas...

100 razões para amar Beja - 13

Não deixa de ser premonitório a sina de que esta seja a décima terceira razão! E talvez mais uma estranha razão, mas entendi escolher a sopa de cação dos Infantes (tive tremendamente tentado a eleger a perdiz estufada em cama de couve, mas cedi aos impulsos do paladar e fiz uma escolha mais genuinamente tradicional), sem escamotear a contradição de vos aguçar o apetite com algo que já não é possível saciar!
Não deixa de ser curioso que Beja tenha uma excelente gastronomia e sejam raros os locais onde nos podemos deleitar na mesa! E não me lixem com o desbarbado argumento do diminuto poder de compra, porquanto, bastam vinte quilómetros para arribar a Serpa, onde o poder de compra é inferior e sem problemas consigo identificar cinco restaurantes deliciosos (Molha o bico, Tradição, Alentejano, Lebrinha - para quem ao contrário de mim o aprecia - e o meu predilecto, Pedra de Sal). Beja, por misteriosas e estranhas razões, sempre foi pródiga em cervejarias - esmagadoramente frequentadas por homens -, algumas tascas de bom prato, mas mitigada em Bons restaurantes. Fecho os olhos e recordo os gloriosos anos do Restaurante a Esquina (que agora é possível matar saudades no Frango à Guia, onde regressou o talento singular da D. Isabel Proença) e os Infantes, que no fim da década de noventa foi um caso único de sucesso gastronómica na cidade, apesar de desde o primeiro dia ser alvo do arrogante desprezo da maioria dos bejenses! Aliás, eu próprio, mantive uma estranha ligação com os Infantes, a mistura da soma de incontáveis prazeres gastronómicos, com o ressentimento por uma espécie de intrincado dique que separou águas que juntas corriam para o mar!
Mas, regressemos à mesa dos Infantes, contemplemos as paredes caiadas e as suas abóbadas cuidadas, deixemos trazer as entradas - aconselho a orelha de porco, os enchidos e os torresmos, um queijo de cabra caso ainda lhe sobre gula -, um vinho, necessariamente tinto e esperemos com calma que as sopas fervam em lume brando, para se sentarem na mesa encamadas numa terrina de barro, acompanhadas por finas fatias de pão alentejano, que se apaixonam no prato, deixando suar o cheiro a vinagre! E se conseguir suportar, se o estômago ainda lhe der consentimento, perda-se nos doces conventuais.
Dizem-me que a porta está fechada. Mas fecho os olhos, seduzo os sentidos e fico com a certeza certa que os Infantes ainda lá estão...

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Desculpem interromper...

... mas agora a ver o keyword analysis, fiquei com uma dúvida assustadora: circulam na net fotos eróticas de Fátima Felgueiras?

Greve de Professores...

... o seu filho teve aulas hoje? Se não teve, onde deixou o petiz?

Desculpem lá perguntar...

... mas para além de parvo, qual o nome técnico para um gajo que vai lavar o carro num dia de chuva tonta?

100 razões para amar Beja - 12

O espólio da passagem alemã por Beja, parece-me uma razão de encantamento sobre a cidade! Confesso que tive dúvidas para catalogar esta razão, na desesperada escolha pelo vocábulo que me parecia o mais indicado. Como escrever sobre a passagem dos militares pela nossa cidade é penetrar no delicado campo que nos faz emergir uma complexa relação de amor e ódio, que caracteriza a relação que muitos de nós temos com a nossa Pax-Júlia.
Prometi a mim mesmo não tecer críticas nestas cem razões, uma espécie de catarze de muitas outras coisas escritas; mas hoje, é mais dificil do que nunca! O legado dos militares alemães é impressionante: um bairro com deslumbrantes condições e delineado com arte e engenho, um campo de futebol, a famosa mata de Beja (que com toda a certeza terá direito a um post!), um hotel, bares e restaurantes, uma ciclovia (construída numa altura em que a palavra ainda não existia no léxico lusitano) e uma base aérea que a incompetência dos homens ainda não permitiu que se tornasse um Aeroporto!
Entristece-me que nada mais tenha ficado da presença alemã que as infra-estruturas e o nosso amigo Zig. Devia ser motivo de reflexão, as complexas motivações para que a cidade não tenha optimizado o enorme espólio da Força Aérea alemã! Porque apenas analisando os erros do passado se conseguem impedir que se repitam no futuro os mesmos dislates...
Mas, este é um momento para pensar positivo e enaltecer as virtualidades; podia juntar ao que já escrevi, a importância da presença alemã para a economia regional, os cafés, bares, restaurantes, supermercados e algum comércio tradicional, que viveram naquela época os seus anos dourados! Mas afirmá-lo era contrariar as minhas mais intimas convicções, valorizar o acessório esquecendo o essencial; sim, porque o essencial da presença alemã foi o privilégio único de viver um choque de antagónicas mentalidades e culturas, permitir o convívio com a diferença, o papel decisivo na luta contra valores de conservadorismo provinciano, a irrepetível virtude que havia vida para além da planicie...

domingo, janeiro 18, 2009

Coisinhas boas...

... que nos fazem sorrir é receber de um querido ex-aluno a passear pela Lituânia (dizem que é Erasmus) um lindo trabalho baseado no beijo de Klimt! Sim: é isto que o ensino tem de mais bonito! (in casu, até acho que ele "chumbou" comigo!) Obrigado Pedro e boa sorte nessa complexa busca...

Sinto Muito, de Lobo Antunes...

Não gosto de livros que são a soma de crónicas. Não sou particularmente atraído pelas singularidades da medicina. E tenho uma relação complexa com as biografias. E chamem-me todos os nomes, mas não tenho paciência para ler Lobo Antunes. O outro. Porque a escrita de Nuno Lobo Antunes é deliciosa. Sem pretensiosismos, anima a língua portuguesa com combinações e cores diferentes, numa escrita nos arrebate e comove. Estou a meio e já sinto saudades...

Agora praticamente fora de contexto, uma breve nota para dizer que tenho os melhores pais do mundo. E devia dizê-lo muito mais vezes...

100 razões para amar Beja - 11

Quando o meu leitor perceber que escolhi a Pandora como uma razão para amar Beja, vai ficar com a certeza certa que ensandeci definitivamente! Deixo-lhe uns segundos para me achincalhar, antes de começar a explicar as motivações da inusitada escolha!
Garanto-lhe que não desconheço que nos últimos dez anos a Pandora se arrastou na podridão, ora aberta ora fechada, somando desastrosas gerências que descaracterizaram a casa. Se é que algum dia a casa teve identidade, porquanto desde o seu atribulado início se assemelhou sempre a uma mera soma de partes! Por outro lado, o mais conversador dos meus leitores - não deixa de ser curioso que este estranho blogue tem um público muitíssimo heterogéneo - ficará magoado comigo pela exaltação da vida nocturna da nossa pacata cidade.
Mas gostemos ou não, o divertimento nocturno é um dos pecados da vida moderna, não muito diferente do que sempre existiu! E viver sem pecar, deve ser terrivelmente aborrecido!
Na minha entrada na adolescência, Beja tinha os Infantes ao fim de semana e os Ufos (que fazia matinés!!, recordam-se?) Fora isso, o velho Lanterna Azul, o Arcadas e "aquele na Praça da República" cujo nome a memória me fez esquecer!
A Pandora é um sonho de um homem - Rui Simão, de seu nome - que acreditou sozinho num projecto maior que a cidade, que lutou e se empenhou por ele, oferecendo à cidade uma discoteca que, naquela altura, seria provavelmente a melhor de todo o Sul do País. Por aqueles tempos - curiosamente abriu na noite do meu décimo sexto aniversário - Beja tinha a centralidade na noite, sendo recorrentemente visitada por noctívagos de diferentes destinos, que se deixavam perder e arrastar por uma noite que era única e inesquecível. De quando em quando, outros bares e discotecas aqui do burgo roçaram a excelência, provavelmente até suplantaram a velhinha Pandora, mas, porque a justiça é um imperativo, importa reconhecer que a noite de Beja deve tudo à audácia de um tipo mal humorado, mas um grande empreendedor que ousou sonhar mais e mais alto!

sábado, janeiro 17, 2009

Manifesto para memória futura ou posta em homenagem aos saudosos tempos em que o blogue era bom e escrevia tudo o que queria!


As pessoas normais fazem desejos para o ano novo na madrugada de dia 1. Eu como além de parvo sou lentinho, hoje é que os faço! Melhorar uma língua estrangeira (acho que este todos fazemos), regressar à piscina (sem “h”, que fique claro), fumar no mínimo três vezes menos que nos tempos mais recentes, começar a fazer uma alimentação de pessoa normal que inclua alimentos que tenham similitude com comida saudável (já agora tentar recuperar os 4 quilos que deixei em algum lugar que não me recordo), menos c., tentar ter horários menos exóticos (esta deve ser má de conseguir), ter coragem para publicar o meu patético romance Entre o Viagra e o Prozac, a história da mulher a que todos chamavam puta (sim, tenho consciência que o título é péssimo), ter a coragem de começar o Projecto profissional, não repetir os mesmos patéticos erros, não fumar no carro (tenho o sonho de um dia ter um carro sem um buraco no banco), conhecer um país diferente, viajar mais (um dia ainda faço uma viagem planeada com tempo, lendo e pesquisando e indo com roteiro – tanto gerúndio -) tentar ser menos trombudo e sorrir mais (esta todos os anos tento, mas os resultados estão ao nível dos do Benfica) e tentar conseguir continuar a acreditar!

Post Exclusivo para Blogger...

Sabem aqueles dias que nem apetece pensar que temos um blogue ou que seria delicado postar uma merda qualquer? Hoje é um desses...

100 razões para amar Beja - 10

É magnifica a localização geográfica de Beja. Não ignoro que a frase que inaugura o texto pode ser recebida com escárnio e estupefacção pelo meu desconfiado leitor, tentado a ler ironia numa afirmação que lhe asseguro ser genuína. Com efeito, muitas partilham da lamuria da interioridade e que Beja está perdida algures ao Sul, longe de tudo, perto de coisa nenhuma.
Nunca partilhei desta visão fatalista!
É verdade que neste descuidado País que ignora o interior, que vive obcecado com Lisboa e Porto a interioridade é fardo que ninguém gosta de carregar. Mas Beja carrega consigo a deliciosa particularidade de estar a duas horas de quase tudo. Assim, duas horas de carro permite-nos chegar a Lisboa ou à capital da Andaluzia, duas horas de carro em estradas obscenas possibilitam-nos descobrir os tesouros escondidos da costa alentejana, as dívinas praias e Vila Nova de Milfontes, uma viagem curta que nos permite conhecer o maravilhoso Algarve ou o outro Algarve onde vão os turistas! Mais. Serpa é já aqui ao lado e até Évora é um curto pulo!
O optimismo das palavras supra não pretende escamotear a crueldade dos homens do Terreiro do Paço, que invejosos desta excepcional localização geográfica, nos têm torturado com a inelutável obrigatoriedade de navegar em estradas sinuosas, que fazem mais longe aquilo que é perto. Mas deixem-me sonhar esta noite, escrever com tons de optimimos na crueldade desta noite e acreditar que em breve estradas decentes vão beijar a cidade e permitir-nos gozar em segurança da benção da nossa centralidade!

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Desculpem lá perguntar...


... mas a Câmara Municipal de Beja comprou uma impressora por 6.500 Euros, ou seja, mil e trezentos contos? Faz meninos, para combater a crise demográfica?

Prezados leitores...

... hoje - pela primeira vez em muito tempo - não tive a menor paciência para ler o que se escreveu sobre o nosso alegre concelho. O que perdi, quais as tricas que marcaram a nossa terrinha hoje?

100 razões para amar Beja - 9

Uma maravilhosa razão para amar Beja é a calma! Para quem não tem esta cidade dentro de si, falar em calma, poderá levar o mais distraído leitor a confundir o prazer da calma com as frases jocosas que os lisboetas de todas as cidades, mimam uma determinada forma de viver a vida!
Encanta-me a calma de uma cidade onde ainda há tempo para viver, uma cidade onde mais que a vida passar por nós, nós passamos pela vida!
Em Beja ainda temos o privilégio de ter tempo, de ter o "vagar" para fazer as coisas! Inúmeras vezes caímos na tentação da lamuria e do queixume, reclamando que a cidade é demasiado pacata! Mas a pacatez da cidade é uma das suas mais exuberantes bandeiras! É a calma que transpira nesta cidade que nos permite fazer as refeições em casa, ir ao café onde todos sabem o nosso nome, onde nos sentamos sem pedir porque nos conhecem os gostos, onde nos cruzamos com caras que nos sorriem, onde temos tempo para ter amigos dos verdadeiros, uma cidade que nos permite a gentileza de numa tarde de chuva dar boleia ao colega ou amigo, mesmo que este tenho como destino o extremo oposto da cidade!
Choramos por desdém a melancolia da cidade, sem cuidarmos de pensar no privilégio de Beja nos permitir a calma de ler numa esplanada um bom livro, de permitir um passeio nocturno nas noites em que o calor do Verão nos rouba o sono, de deixar fazer amor no fogão um petisco daqueles que precisa de horas para atingir a perfeição!
Pateticamente confesso que me apaixona nesta cidade a calma que nos permite ter tempo para meditar, a nostalgia da interiorização, a virtualidade única de não precisar de ter pressa, o supremo de luxo de poder dizer, espero-te! Com calma!

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Provocaçãozinha...

Desejo sexual...

... já tinha afirmado neste blogue que tenho um desejo sexual pela Euribor?

Achei piada ao dia...

... um frio de loucos e uma chuva intensa e melancólica, como se os céus estivessem a chorar...

Que a coragem seja ousadia e não leviandade - Público Elogio...

Referi isto no ultimo Conselho de Opinião mas quero mencionar o facto no blogue! Nesta semana um empresário local teve a coragem de num momento em que inspira e respira crise no comércio tradicional fazer um enorme investimento, abrindo no centro da cidade uma megastrose de vestuário. Mais. Teve a ousadia de fazer concorrência directa ao maior bazar chinês da cidade, criando uma grande superfície que vende vestuário de qualidade, ao estilo outlet!
Ao comerciante em questão - cujo nome eu devia saber, mas não sei - fica o publico elogio e o desejo de felicidades pela coragem de investir. (por acaso, uma foto do estabelecimento ficava bem aqui...se algum leitor me mandar a dita!)

100 razões para amar Beja - 8

Pode o meu bom leitor achar estranho que escolha o Aeroporto de Beja como uma das minhas razões para amar esta estranha cidade. Como se poderá ser apaixonado por algo que ainda não existe? Que encantamento se pode encontrar em numa soberba pista que apenas tem sido utilizada para meninos crescidos de farda brincarem aos aviões? (ainda que me venham com a lengalenga de que a utilização militar da Base é a oitava maravilha do mundo).
Peço ao meu bom amigo a gentileza de me acompanhar neste esquivo argumento, que reflicta comigo, questionando-se se amar verdadeiramente não é conseguir ver o que ainda não existe, excepto nos recônditos cantos da nossa mente?
Obviamente que não me encanto pelo aeroporto pela triste figura que hoje é: o que me apaixona é aquilo que acredito que o Aeroporto de Beja pode vir a ser, assim queira o egoísmo dos homens. Porque a verdadeira paixão é a capacidade para ver para além do presente, de sonhar o futuro, a infinita capacidade de acreditar no potencial de alguém ou de algo!
Bem sei que o Aeroporto é uma inacabada promessa, que carregou consigo tristeza e desilusão, episódios desesperantes; mas não abdico do sonho, não abdico da ilusão, de que um dia poderá ser uma real realidade.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Porque perguntar não devia ofender...II

Alguém me explica como se eu tivesse cinco anos e fosse muito burra, o que passou pela cabeça do Cardeal patriarca para proferir a frase: "Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam."

Porque perguntar não devia ofender...

Alguém me explica como se eu tivesse cinco anos e fosse muito burra, para que raio serve o Nerbe hoje?

Obrigado, por tudo...

Por acaso também foi um excelente jogador, de longe o melhor lateral esquerdo da última década. Mas, mais que isso, um brilhante profissional, que deu tudo pela camisola, abnegado, que lutava cada boa como se fosse a última.

100 razões para amar Beja - 7

É insofismável que existe uma Beja antes e uma Beja depois do Instituto Politécnico de Beja! Não tenho a ingenuidade de pensar que o IPBeja é um mundo perfeito: sou o primeiro a reconhecer que se já se galgou um grande caminho, ainda muito há para trilhar! O facto de ser uma jovem instituição, - especialmente quando comparada com a sua mais próxima concorrente - obviamente que carrega consigo imperfeições e dificuldades, mormente, a circunstância de muitos dos seus quadros estarem em formação. Ao que fica escrito, acresce a interioridade e a miopia da politica educativa de Lisboa, sempre lesta a criar dificuldades e inepta nas soluções.
Mas desvalorizemos por ora os dramas e vamos enaltecer o importante. Se algo mudou o rosto da cidade de Beja foi o surgimento do Ensino Superior, público e privado. Infelizmente, depois da loucura da década de novente, ISPA, ISSS e Moderna não resistiram, sendo que hoje o Politécnico é o unico sinónimo de Ensino Superior!
Temo que a cidade nem sempre compreenda a importância do IPB permitir fixar na cidade cerca de quatro centenas de quadros superiores, de possibiliar que alguns milhares de estudantes façam aqui a sua formação superior e alguns deles o resto das suas vidas.
Descentralizar o ensino, tem permitido ao longo dos anos formar milhares de pessoas, quer os mais jovens, quer adultos que não tiveram o privilégio de ter meninice! Alguém medir a quantidade de pessoas que apenas conseguiram tirar uma licenciatura porque o puderam fazer sem sair da sua cidade? Sou eu apenas que tenho memória ou os meus leitores esqueceram o marasmo que era esta cidade na décade de oitenta, antes dos primeiros estudantes chegarem ao burgo?

terça-feira, janeiro 13, 2009

A indignação da Toga...

Os meus ilustre colegas advogados andam indignados com um Parecer que dá poderes à ASAE para inspeccionar escritórios de advogados, nomeadamente a exigência de uma tabela de honorários e a existência de livros de reclamações. Porque perguntar não devia ofender: o que tanto temem os advogados?

Regressa hoje...

... o Programa Conselho de Opinião para a sua terceira temporada. Todas as terças um pouco depois das dezoito. Hoje será dia para perspectivar o "ano da trampa"!

Pires dos Reis é o candidato do PSD à CMBeja

Para mim claro não é surpresa: afirmei-o em Setembro aos microfones da Rádio Pax (e o que me chamaram na altura!!!!) e voltei a sustentá-lo numa crónica de opinião no inicio de Novembro do passado ano, onde expliquei porque PR era o melhor candidato e a única possibilidade séria!
Gosto bastante do Pires dos Reis: é um homem sério, integro, honesto e um excelente profissional. Que aceitou uma luta inglória onde temo que não venha a ser bem sucedido. Mas corresponde a uma decisão política do PSD: não vão oferecer a CMB ao PS. Se Pulido Valente quiser a câmara vai ter de a conquistar, não lhe vai ser oferecida. Porque se o PSD quisesse oferecer a câmara o candidato seria outro. Não é?

100 razões para amar Beja - 6

Deslumbro-me com as planícies que rodeiam a cidade! É uma das muitas coisas que nunca consegui explicar, mas encontro companhia para a solidão contemplando a planície. Quando preciso de me procurar, fecho-me no carro e passeio pelas mal cuidadas estradas que circundam a cidade, entregando-me à imensidade sem fim dos campos baixo alentejanos.
Beja é muitas vezes claustrofóbica: escamotea-lo seria estupidez! E a planície oferece-nos um paradoxal contraste, como que um grito que nos ensina que a cidade se estende pelo horizonte.
Gosto especialmente quando os campos se enchem de verde, desenhando um mar imenso, o contraste com o castanho forte do barro a desejar que as primeiras sementes o beijem e cumpram o ciclo da vida, a monotonia constante mas irrepetível que traduz a sina de um povo que nunca abdicou de sonhar e cuidar da terra.
Num acesso de lucidez, seria forçado a reconhecer que a planície não tem o esplendor das montanhas ou o carinhoso mistério do mar: mas há demasiadas coisas na vida que não têm uma explicação lúcida, que não se explicam nem se compreendem, apenas se sentem. E quem consegue sentir esta planície, descreve nela uma beleza imponente e única!

PS - é impressão minha ou este texto saiu uma bela merda?

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Acabou a crise em Portugal...

... ou isto ou algo similar! Porque só mesmo algo desta transcendência explica que a RTP atrase o telejornal para dar horas de um directo para a entrega de um prémio a Cristiano Ronaldo. Provavelmente ele até o mereceu porque terá sido o melhor jogador no ano que terminou: mas... onde está o bom senso de um povo que vive para estas coisas!

Publico Agradecimento... (com repto...)

Venho por este meio publicamente agradecer aos leitores Ana, Nelson, Célia, Inês, Margarida, Luís e Maria (espero não ter esquecido ninguém) terem-me permitido fazer o mais bonito post deste blogue, com imagens lindas do nevão com que a cidade foi abençoada. Pode vê-las aqui!

Repto: por sugestão do leitor M&M lanço um repto: qual a ultima vez que tinha nevado a sério em Beja?

Será...

... que o que aqui escrevi há meses hoje vai ser notícia?

Finalmente...

... uma notícia decente neste ano de trampa! E já merecíamos uma escola com dignidade!

100 razões para amar Beja - 5

Não vou mudar ou escamotear uma linha do que antes escrevi ou disse; mas o facto de já ter feito algumas criticas, não me cega o discernimento: o Cine Teatro Pax Júlia é mais uma boa razão para amar esta cidade!
Não acredito que aquilo que os intelectuais designam de "cultura" deva ser o cerne de uma cidade; mas não acredito que uma verdadeira cidade possa sobreviver sem cinema, teatro, dança, exposições e colóquios, pelo que, é com orgulho que constato que Beja oferece aos bejenses e a quem nos visita, uma sala de espectáculos de inegável categoria. Se no passado teci as criticas que hoje não repito mas mantenho, deve-se unicamente ao facto de não abdicar de lutar pela excelência e acreditar que se podemos sonhar com o óptimo não nos devemos resignar com o bom.
Já com a respeitável idade de 100 anos (feitos em Dezembro último) o Pax Julia após as longas obras de recuperação (quinze anos fechado!!) tem hoje excepcionais condições para uma heterogeneidade de espectáculos, sendo o paradigma daquilo que Beja deve ambicionar ser de direito e de facto: a capital de uma região.
Mas sou saudosista. Não desejo que o tempo volte para trás, mas recordo com carinho e saudade o velhinho Pax Julia, os sábados à noite de cinema, a guerra pelas ultimas filas, os piropos e bocas lançados no escurinho da sala, os primeiros beijos nervosos na adolescência!

domingo, janeiro 11, 2009

É por isto que tenho pena que em Beja não haja metro...

... por uma qualquer razão que lhes passou pelas cabecinhas, quatro dezenas de jovens despiram-se de preconceitos e de calças e andaram no metro de Lisboa em cuequinhas, numa iniciativa baptizada de "no pants". Pessoalmente, sou favorável a tudo o que leve as gajas a despirem as calcinhas...

Privacidade e respeito pela intimidade...

Quando há uns anos escrevi um artigo académico sobre as novas tecnologias de comunicação e a privacidade, assustei-me com o "estado da arte"! Nos últimos anos a modernidade inventou um conjunto de mecanismos que podem ser utilizados para invadir de forma obscena a nossa intimidade, construindo a sociedade temida por Orwell!
O que hoje me assusta é a banalização desses instrumentos, acessíveis a qualquer um. E de forma gratuita. Fiquei revoltado quando conheci este site onde através de um número de telefone móvel conseguimos saber o exacto local onde uma pessoa se encontra (desde que o telefone esteja ligado!).

Retalhos...

Ontem a cidade acordou com um deslumbrante manto branco que nos ofereceu imagens "inauditas", únicas e jamais vistas nos meus trinta e três! Hoje, o sol desceu à cidade enchendo de luz este maldito inverno, oferecendo sorrisos aos petizes que corriam no parque iluminados pelo sol frio que nos aquece os sentidos. Porque a vida é assim: uma soma de estranhos e incompreensíveis contrastes, a incerteza de nunca saber como vai nascer o amanhã...

100 razões para amar Beja - 4

Terá sido então inútil todo o meu desejo, e não voltarei a ver-te no meu quarto com o ardor e arrebatamento que me mostravas? Ai, que ilusão a minha! Demasiado sei eu que todas as emoções, que em mim se apoderavam da cabeça e do coração, eram em ti despertadas unicamente por certos prazeres e, como eles, depressa se extinguiam. Precisava, nesses deliciosos instantes, chamar a razão em meu auxílio para moderar o funesto excesso da minha felicidade e me levar a pressentir tudo quanto sofro presentemente. Mas de tal modo me entregava a ti, que era impossível pensar no que pudesse vir envenenar a minha alegria e impedir de me abandonar inteiramente às provas ardentes da tua paixão. Ao teu lado era demasiado feliz para poder imaginar que um dia te encontrarias longe de mim. E, contudo, lembro-me de te haver dito algumas vezes que farias de mim uma desgraçada; mas tais temores depressa se desvaneciam, e com alegria tos sacrificava para me entregar ao encanto, e à falsidade!, dos teus juramentos. Sei bem qual é o remédio para o meu mal, e depressa me livraria dele se deixasse de te amar. Ai, mas que remédio... Não; prefiro sofrer ainda mais do que esquecer-te.

Não me interessa a controvérsia: posso morrer estúpido mas irei sempre acreditar na veracidade da lenda, na autoria apaixonada das cartas, de uma paixão maior que o seu tempo que rompeu as fronteiras do espaço. Porque a Soror Mariana Alcoforado é Beja e é Alentejo, é paixão que se consome entre o cruel destino e a desesperança, que estoicamente enfrente as adversidades da vida, sem nunca perder a capacidade de sonhar! De certo modo Beja tem sido um amor adiado que se tem recusado a enterrar a chama em acreditar que os finais ainda podem ser felizes; tal como a nossa heróina, ser bejense tem sido nao se resignar, procurar contrariar o infortunio, tentar vencer o convencionalismo, procurando agarra-se à esperança mesmo em tempos de incerteza e de abandono. Mas Mariana Alcoforado é também a vertical coragem de assumir o amor que sente, o desejo que lhe corrompe as entranhas, o desejo de carne e prazer, numa abordagem directa e frontal que a velha Europa ainda não conhecia no século XVII! Viver na terra de Mariana Alcoforado é concerta uma excelente razão para amar esta estranha cidade…

sábado, janeiro 10, 2009

A nevar em Beja... (Com Adenda)

Coisa "mai" linda! (foto roubada daqui)

Adenda: Tem fotos da neve em Beja? Se quiser partilhar com os leitores envie as mesmas para ireflexoes@gmail.com

Adenda 2: As fotos dos leitores estão aqui (a estes, o meu muito obrigado!)

100 razões para amar Beja - 3

Perde-se na história a sua origem, impossível de datar, porquanto foi sendo modificado e ampliado no decorrer do percurso de um povo, procurando responder às necessidade de várias guerras, desde a expulsão dos mouros à sua reconquista e mais tarde na Guerra da Restauração, tendo sido porto de abrigo nas guerras napoleónicas.
Vicissitudes de uma construção que se perde nos séculos, podemos sustentar que a sua característica arquitectónica é a miscelânea de influências no seu traço, numa combinação de estilos românico, góticos e manuelino. Como o meu bom leitor terá compreendido, regresso hoje neste blogue ao Castelo de Beja, após ter feito um estranho post em sua homenagem.
O mais imponente no Castelo de Beja é a deslumbrante torre de menagem, com quase quarenta metros de altura; sempre que o visito, mostrando a minha vida a quem nos visita, uso afirmar que subir a torre é de perder o fôlego: se num primeiro instante o cansaço das longas e frias escadas nos rouba a respiração, respirar a paisagem que se avista do cimo da torre é uma sensação única. Não apenas ficamos com uma relação privilegiada com a cidade, vislumbrando os seus mais íntimos recantos e segredos, como nos deslumbramos a contemplar uma paisagem que se perde no horizonte, num raio que em dias de bom luminosidade se pode estender mais de quarenta quilómetros.
Se o que fica escrito justificaria a escolha, deixo para o fim a mais pertinente das razões, uma estranha e misteriosa motivação que apenas os verdadeiros bejenses entendem. Refiro-me ao facto de o Castelo carregar consigo um segredo, o estranho enigma de desenhar no nosso rosto um sorriso tranquilo, quando ao longe o avistamos. Acredite meu prezado leitor bejense, que não me move malvadez quando lhe nego a explicação, porquanto, acredite, que há coisas que não se conseguem explicar: só nós podemos compreender a estranha e inexplicável alegria quando depois de uma qualquer viagem, nos aproximamos da cidade e descobrimos ao longe a torre de menagem a sorrir para nós...

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Habemus Esmeralda...

Depois de um longo e vergonhoso processo, finalmente uma decisão: a petiza Esmeralda poderá finalmente começar a tentar a ter uma vida normal! Com sorte, com todos os recursos que se vão seguir, aos dezoito anos a situação fica normalizada. E quiçá a imprensa termine com o disparate de chamar biológico ao pai!

Francisco Santos vai ser o candidato do PCP à Câmara Municipal de Beja

Apesar de em manchete o CorreioAlentejo oferecer como título uma citação do autarca onde sustenta que não sabe se vai ser candidato à CMB, estou certo que vai ser a escolha do partido. E não é uma convicção recente; já no dia 16 de Setembro do ano passado aos microfones da Rádio Pax no programa Conselho de Opinião afirmei qualquer coisa como isto: "apesar de existir dúvidas internas e estarem em cima da mesa outros nomes, o Dr.º Francisco Santos vai conseguir impor a sua vontade de voltar a candidatar-se à Câmara Municipal de Beja".
Com efeito o PCP está condenado a convidar o actual presidente a candidatar-se! Desde logo, porque existe uma dívida de gratidão! FS aceitou uma dificilima guerra autárquica (não era simples substituir alguem com carisma como Carreira Marques) e teve a infelicidade de ser sujeito a governar em péssimas condições, apanhando uma edilidade com gravissimas dificuldades financeiras, com escolhas erradas que teve de suportar (Colina do Carmo) e, ainda por cima, teve de lidar com os conhecidos problemas em alguns empreitadas, que lhe sugaram o resto dos parcos recursos. Mais. Contrariando a prática no Partido, reiteradamente Francisco Santos tem afirmado publicamente que tem vontade de continuar (a ultima esta semana, com a metáfora de que o trabalho autárquico é como o crescimento de um filho!). Na mente dos decisores, também vai pesar uma questão: como iria reagir FS se lhe fosse sonegada a possibilidade de um segundo mandato.
Por outro lado, os nomes de Miguel Ramalho ou de João Rocha (que seria um excelente candidato e tornaria imprevisíveis os resultados autárquicos) que ainda estão em cima da mesa, carregam consigo um grande problema: seria o reconhecimento implicito de que os críticos estavam certos e que este mandato não tinha sido positivo. E voltar a assumir um mau mandato, é um risco que o PCP não pode correr contra um candidato do PS que é forte...

Desejo para 2009...( Ética, Princípios e Valores)

Existe uma regra tácita e silenciosa entre quem se dedica a fazer análise social e política: iniciar o ano com previsões. Eu próprio já pequei entrando nessa teia e no ano passado a minha primeira crónica neste jornal procurou fazer previsões para o ano recentemente enterrado: como em tudo na vida, acertei algumas e falhei outras. Cedo este ano à tentação do prognóstico (logo num ano que vai ser politicamente tão intenso) para dedicar estas linhas a falar de desejos.
E o meu desejo para o ano que inaugurámos é que seja o ano da ética, dos princípios e dos valores! Ao escrever estas palavras, quase que antevejo no rosto do leitor um sorriso de escárnio, um enfado em continuar a ler estas linhas, temendo que as mesmas se enroupem de ingénuo moralismo. Não desconheço que numa sociedade egoísta e hedonista, pregar a moral tenha laivos de disparate: no meu ensino, quando procuro transmitir o que é o Direito e qual a sua função, partilho com os meus discentes que o Direito apenas existe porque a sociedade é formada por Homens, pelo que só pelo recurso à existência de sanções e punições se consegue que a maioria da sociedade cumpra aquilo que devia espontaneamente ser cumprido.
Talvez desde sempre, mas com maior notoriedade nos últimos anos, fomos assistindo com perplexidade a uma infinidade de casos que nos fizeram crescer a convicção de que o “crime” compensa: desde pessoas com comportamentos de visível corrupção que continuam alegremente eleitas, processos judiciais que se protelam exasperantemente, outros que são arquivados por razões que a razão nem sempre conhece, a criação quase por geração espontânea de misteriosas fortunas cuja proveniência do dinheiro é suspeita, a proliferação de um bando de gente que vive alegremente sem trabalhar na dependência do Estado, a generalização de que o acesso ao mercado de trabalho não tem por base o mérito mas a arte de conhecer a pessoa certa, a adoração pela mediocridade e a bajulação da indignidade. Pelos exemplos que ficam expostos e por todos os muitos outros que poderiam ter surgido neste trecho, será que ainda faz sentido falar em ética, princípios e valores, nomeadamente pela pena de alguém que, por ser assumidamente agnóstico, não crê na divina justiça?
Porventura ingenuamente, acho que faz todo o sentido. Agora, neste exacto momento, quando a uma tremenda crise económica se junta uma crise de valores (ou terá sido esta a gerar aquela!!!), mais do que nunca urge falar de ética, valores e princípios. Apesar de não crente, sou personalista, pelo que, contrariamente à prática e ao fado lusitano, não procuro a culpa e responsabilidade nos outros. Não ignoro que é mais cómodo culpar o Estado pelas nossas muitas carências, os polícias e juízes pela criminalidade e corrupção, os patrões e os capitalistas pela crise económica, os vizinhos pelos problemas nas nossas ruas, aqueles que partilham a nossa intimidade por falhas e carências que são apenas nossas!
Sempre me fez muito sentido a frase de Kennedy: e este não é o momento de perguntarmos o que o país pode fazer por nós, mas para questionarmos o que podemos fazer pelo País; não é o momento de exigir coisas aos outros, mas de fazermos algo pelos outros! Em momentos de crise, especialmente num ano em que vamos ser convidados a fazer escolhas locais e nacionais profundamente importantes, exige-se a capacidade para sermos honestos connosco próprios, de forma a poder exigir a honestidade dos outros.
Falar de ética, princípios e valores é um dislate, porquanto não são meros conceitos de retórica que se teorizam. São realidades que se praticam, especialmente em épocas em que o caminho mais fácil e aparentemente mais confortável consiste em esmagar os outros, se constrói com deslealdade e desrespeito, procurando construir uma felicidade que é efémera e aparente em cima da infelicidade de outrem, colocando egoísmos privados acima dos interesses gerais ou, compactuando cumplicemente com todas as injustiças com medo de assumir a responsabilidade de levantar a voz para falar, seguido o trajecto do facilitismo.
As grandes nações (e as grandes pessoas) emergem nos momentos de crise e desespero, porque é nesses momentos que se desnuda a verdade de cada um: alguns escolhem o olhar indiferente e o desprezo pelo outro, demasiado centrados nos dilemas do seu umbigo; outros entendem que este é o momento de “arregaçar as mangas”, de procurar o sol mesmo num dia triste de Inverno, e procurarem ser parte da solução e não parte do problema.
Admito que os factos pareçam desmentir as próximas palavras: mas ainda acredito que se as pessoas caminharem numa mesma direcção, que se cada um de nós se esforçar por ser uma melhor pessoa, um melhor cidadão, um melhor trabalhador, um melhor empreendedor, se o fizer balizado pelos valores da ética, compreendendo que ninguém prospera na desgraça alheia, poderemos em conjunto emergir mais fortes do ano que agora começa. Se temos um grave problema económico, então que cada um de nós comece este ano a trabalhar com um pouco mais de afinco, de empenho, com maior simpatia, construindo um melhor ambiente laboral que se vai repercutir nas nossas empresas e produtividade. Se temos uma grave crise social, que cada um de nós tente dar uma ligeira parte de nós aos outros, porque o todo não é mais que a aritmética soma das partes.
Vai longa esta cartilha moralista: pessoalmente já teria interrompido a leitura porque não reconheço a quem escreve estas linhas legitimidade para pregar valores como os descritos! Mas este não é um texto escrito para os leitores! É um texto intimista de mim para mim. Quando muito, fica um convite a quem teve a suma paciência de chegar ao parágrafo final: que medite, que faça introspecção e que se junte a este que lhe escreve, porque se cada um de nós for mais exigente consigo próprio, podemos em conjunto construir uma vida, uma cidade e um País melhor…

100 razões para amar Beja - 2

Vergo-me nesta gélida madrugada perante a doçaria da nossa terra: in casu, uma deliciosa razão para amar Beja são as trouxas de ovos do Luiz da Rocha. Infelizmente nem sempre temos a noção do privilégio de dispormos de um café centenário que mantém imaculada a tradição de longas décadas. Quiçá a minha escolha deveria ter recaído nas empadas, no porquinho doce ou no bolo rei, mas, apesar de não pecar por gula - como se comprova no meu corpinho de subnutrido - derreto-me nesta delicia de ovos, mergulhada em abundante açúcar, mergulhada em calda!
Usa dizer-se que nada define melhor um povo que a sua gastronomia: nesta óptica a riqueza da trouxa de ovos é a negação da premissa de um povo que se habituou a alimentar na miséria, vivendo do pouco roubado à dureza árida dos campos. Mas não se iluda com a aparente contradição, porquanto a utilização dos ovos na doçaria tem um cariz de excepção, apenas reservado a momentos ou episódios festivos. Em outros tempos: porque agora, as trouxas podem ser consumidas praticamente todos os dias, no secular café que orgulho resiste à desertificação que conspurca os centros das nossas cidades!

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Hoje é dia de ...

... ouvir o Presidente da Câmara Municipal de Beja na Rádio Voz do Município! Quer deixar a sua opinião sobre a entrevista?

Sinto-me sexualmente atraído...

Sinto-me sexualmente atraído pela Euribor: sempre que a euribor desce um pouco mais, sinto crescer em mim uma erecção!

100 razões para amar Beja - 1

A ordem escolhida para esta demonstração de afecto pela nossa urbe é puramente arbitrária, pelo que no titulo deve ler-se "um" e não "primeira". Inauguro este enamoramento por destacar o aproximar da cidade pela estrada de Serpa (e ser perto de Serpa, poderia ser perfeitamente uma das cem razões)!
Devia escolher a noite como o mais belo momento, mas apesar de noctívago elejo o cor-de-laranja forte dos fins de tarde a mergulhar na noite, como a mais deslumbrante visão da nossa cidade, que admirada daquela estrada, ganha contornos soturnos e misteriosos, como que ocultando-se numa teia de luz, que apenas nos deixa adivinhar aquilo que dissimula, como nos jogos de escondidas que jogávamos em petizes. Debaixo do castelo altaneiro, mistura-se o velho com o novo, estilos distintos que se perdem no tempo, o passado e o presente, numa estranha harmonia, numa cidade deitada sobre uma colina. E ao nosso lado as planícies que se estendem como se o finito não tivesse fim...

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Desculpem interromper...

... mas venho por este meio saudar o facto de o meu patético Benfica ter feito um golo. Recordo que a última vez que este fenómeno tinha sucedido o petróleo ainda estava nos 150 dólares, a Euribor a 5,5% e a Floribela ainda não tinha as mamocas à Soraia Chaves!

Parabéns, Patraozinho!

O Engenheiro João Paulo Ramoa foi eleito esta manhã Presidente do Conselho Geral do Instituto Politécnico de Beja, o órgão máximo do IPB. Se eu fizesse parte deste órgão, seria este o meu voto! Uma boa notícia!

Um pedido de desculpa aos leitores...

Em regra o único spam deste blogue eram as parvoíces que eu escrevia aqui! Mas hoje o blogue está a ser atacado por spam. Confesso que não sei o que fazer, por isso, vou ser tuga! Não faço absolutamente nada e fico à espera que passe. Se não passar, logo se pensa nisso!

Desculpem a ignorância do rapaz...

... mas quem é que vai ocupar o Retail Park de Beja, a construir junto ao Vivaci (em que terrenos???) com TRÊS edifícios e quase 10000m2 de superfície???

Afinal o Chico e o Manel estão de acordo...

... ambos têm tara pelo mercado Chinês. Se o Xico quer pilhas, o Manel quer bases logísticas! (se a parvoíce do post é arte minha, o mérito da notícia é da Moengas).

100 razões para amar Beja - Intróito!

Ao longo da última década, largas dezenas de vezes me questionaram sobre as razões pelas quais decidi regressar a Beja. Eu próprio me fiz inúmeras vezes esta pergunta! Com excelentes possibilidades profissionais em Lisboa, uma cidade onde vivi apaixonadamente, onde estavam a maioria dos meus amigos (sim, até eu tenho amigos!), sem nenhuma relação afectiva que me convidasse a regressar (antes pelo contrário), sem que os meus três lindos tesouros existissem ainda, objectivamente é complicado compreender as misteriosas razões porque regressei a esta terra que primeiro se estranha e depois se entranha!
E mais do que isso: as razões que me levam a teimar em fazer aqui a minha vida!
Por isso, decidi inventar uma "rubrica" nova neste blogue: durante cem dias, vou apresentar cem razões para amar esta cidade. Quer ajudar-me?

terça-feira, janeiro 06, 2009

Feitinha...

Estranha crónica! Mas.. felizmente como me recordava um anónimo no mês passado: não se preocupe que ninguém o lê!

O Balanço do Presidente...

Confesso que só ao ler o Alvitrando reparei nas expressões usadas pelo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Beja para descrever os quatro anos de mandato! E chamou-me à atenção porque o descreve da mesma forma que eu o fiz há dois meses: honestidade e dedicação (eu escrevi trabalhador, mas o sentido é idêntico).
Mas o que me chamou à atenção, foi o facto do adjectivo escolhido pelo Dr. Francisco Santos: numa iniciativa a que alguém (quem terá sido!!!) se lembrou de chamar "orgulha-se" o Presidente abriu a alma e foi sincero: "não me envergonho"! E faz bem: é um homem integro que tentou fazer o seu melhor e quem dá o melhor de si não deve sentir vergonha!

Haja respeito e alguma vergonha! (Com adenda)

Repito o título que usei há dois anos quando escrevi sobre o tema (numa época em que o blogue era mais livre, solto e com menos auto-censura). Porque as coisas não mudaram e ainda se agravaram.
Hoje, como há uns anos, dezenas de pais vão passar uma noite gélida numa rua da cidade para conseguirem inscrever os seus filhos num infantário: este ano as pessoas começaram a aglomerar-se às 9 da manhã, pelo que as esperam 24 HORAS de espera ao relento!
Não procurem nas minhas palavras uma crítica directa ao referido infantário que até goza da fama de ser do melhorzito aqui do burgo: mas há algo tremendamente errado quando num País e numa região tem um drama de natalidade, que os pais se tenham de sujeitar a este calvário. Será este um dos motivos de orgulho?

Adenda: Porque criticar também é elogiar, fica uma palavra de ENORME estima para o funcionário do referido infantário que, ciente do "drama" destes pais, apesar de entrar às 9 horas, chegou ao seu local de trabalho às 7h40 minutos para começar a fazer as inscrições, atenuando os problemas das dezenas de pessoas que esperavam na rua! (post escrito com medo que a ASAE o utilize para multar o funcionário por desrespeitar o horário de trabalho!)

Não vi a entrevista do Primeiro Engenheiro à Sic...

... como foi?

segunda-feira, janeiro 05, 2009

domingo, janeiro 04, 2009

Leonel Cameirinha

Via Moengas e o seu excelente blogue, fui alertado para esta a noticia de que o Grupo Cameirinha pretende 6oo mil euros para o aproveitamento turístico do Aeroporto. Deve ser a primeira medida real relacionada com o aproveitamento económico daquela infraestrutura.
É por estas que eu gosto de jovens empresários. Porque a juventude não é uma questão de idade!

Fora de Contexto: Música nova no blogue: Que sera, sera, whatever will be, will be!

sábado, janeiro 03, 2009

Nem sei que título dar a isto...(com Adenda)



Durante a tarde estava a ler um romance em que a personagem principal era um professor que dizia à páginas tantas "
que o que mais invejava nos seus alunos é que tinham toda uma vida pela frente". Sorri interiormente ao ler a frase. É uma sensação que bem conheço: vê-los cheios de sonhos, com mil ilusões e toda uma vida pela frente! Sinto quase inveja de saber que eles ainda têm tempo para errar e corrigir os seus erros!
Algumas vezes (como aqui) reencontro-os anos depois e vejo-os homens e mulheres, com carreiras, filhos, responsabilidade e medos; outros ainda mantém no olhar o sorriso da inocência!
Segunda-feira às nove horas vou ter um lugar vazio na sala. Fisicamente não vai estar a Cleide, de dezoito anos, porque ontem um acidente estúpido ceifou-lhe a vida! Porque infelizmente o tempo esgota-se com uma rapidez que nos é difícil compreender...
Acho que nunca encontro palavras para estes momentos, ainda mais quando quem parte tem apenas 18 anos. Pelo repito as babalidades que todos dizem: as minhas condolências às famílias e amigos, especialmente aos seus colegas de curso.

Adenda: segundo li hoje na imprensa, a Cleide tinha ganho um prémio de mérito por ter sido a melhor aluna da Escola D. Manuel. Sobre a foto... ponderei durante horas se a colocava aqui ou não. Decidi agora fazê-lo! (um dos comentários fez-me recordar as minhas palavras de há umas semanas na Rádio Pax: aqui)

Porque perguntar não devia ofender...

Escrever um post a dizer que hoje não vou fazer post, é considerado um post?

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Arco Íris...


Fui fumar na janela mais um cigarro e quando contemplei o horizonte vi perfeitamente desenhado um deslumbrante arco-íris, como se tivesse ali sido depositado apenas para mim. Quando o olhava, senti desenhar-se no trombudo rosto um sorriso. Percebi porque sorria pela singela razão de que sou parvo. Mas fez-me bem ver desenhado no céu de breu cinzento alegres cores.

Lendo a "Impresa" aqui do burgo...

... estou convicto que encontramos uma infinidade de coisas muito interessantes. Mas hoje, pela primeira vez em muito tempo, estou sem paciência para as idiossincrasias da nossa pequena planície!

Onde anda a crise?

No outro dia na mesa de uma marisqueira cheia, perguntavam-me “onde pára a crise de que tantos falam”, que surge nos telejornais e nos confunde quando ao lado da podridão percebemos que se esgotam as férias de luxo.
Meu bom leitor sedento da verdade revelada, o seu amigo H esclarece-o. Onde a crise se nota é na industria têxtil, espalhando-se desta, como um raio de diarreia, para toda a economia real.
Na outra noite contemplava com o coração apertado os efeitos da crise nas roupas de jovens donzelas, com idade de anjos e trejeitos de pêgas. Com efeito, sem dinheiro para comprar tecidos, vi consternado que pitas se vêm obrigados a usar pequenos cintos que fingem serem saias, usando o pouco tecido que consegue adquirir como tapa mamocas, que apenas cobre as tetas daquelas para quem a natureza não foi generoso.
Imagino a tristeza dos pais daquelas pequenas, quando elas vão naqueles preparados e em pleno inverno para o matadouro para a discoteca, tiritando de frio, sôfregas para que um macho qualquer lhes dê o calor humano de que precisam. Há quem pensa que elas consomem quantidades obscenas de álcool por motivos indecentes, quando a pura verdade é que as jovenzinhas repetem os ancestrais hábitos dos seus avós e a bebida é apenas o mata-bicho que as esquece do frio e lhes confere a necessária força na intelectual verga, para sobreviverem aos ambientes frios e inóspitos.
Neste momento o meu sábio e expedito leitor poderia procurar arruinar o meu sábio raciocínio, jogando-me na lama o argumento, considerando na sua razão que estas pobres meninas podiam comprar em tecidos o que gastam em bebidas! Como é ingénuo o meu bom intencionado leitor! Seja honesto consigo e comigo e diga-me se existem benfeitores que pagam para cobrir donzelas (usando o verbo, no seu sentido vestimental da coisa) com a mesma bonacheirice terna com que oferecem bebidas a estas meninas, altruisticamente, apenas para ver se elas ficam devidamente aquecidas.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

O jogo do anjo...

Sempre senti o intimo orgulho de ter descoberto Zafón quando era um ilustre desconhecido em Portugal. Li e reli a "Sombra do Vento" ofereci a várias pessoas e sempre intui que estava ali um escritor fabuloso. Que confirmou com o Jogo do Anjo, onde regressamos a Barcelona nos anos vinte, revemos o Cemitério dos Livros Perdidos e a família Sempere. Sem dúvida um livro fabuloso.
A tempo para quem já o leu: quem é Andrea Correli?

Faça o que fizer da sua vida este novo ano...

... procure fazê-lo com decência, respeito e honestidade! Claro que poderá errar, claro que não seguirá o caminho mais curto, poderá ter de chorar, mas acredite que dormirá melhor...